A350F entra na fase final antes do primeiro voo

Campanha de certificação terá duas aeronaves, cerca de 400 horas de voo e duração estimada de nove meses

Redação

A Airbus iniciou os preparativos finais para o primeiro voo do A350F, versão cargueira de nova geração da família A350. O programa prevê uma campanha de certificação de aproximadamente nove meses, com duas aeronaves de teste e cerca de 400 horas de voo.

Embora derive do A350-1000, o cargueiro exigirá uma campanha completa de ensaios por apresentar configuração própria. A aeronave combina uma seção dianteira equivalente à do A350-900 com a parte traseira e as asas do A350-1000, alteração que resulta em comportamento aerodinâmico e geometria do trem de pouso específicos.

“Não é um A350-1000 nem um A350-900, mas algo entre os dois. Precisamos observar o comportamento de todo o sistema com esse modelo único”, afirma Laurent Bussiere, engenheiro-chefe de testes de voo do programa A350F.

Antes de levar o avião ao ar, a fabricante realiza 13 sessões de aproximadamente cinco horas no chamado Primeiro Voo Virtual. O simulador está conectado às bancadas reais dos sistemas aviônicos, incluindo os controles de voo e o gerenciamento digital dos motores. Segundo a Airbus, essa estrutura reproduz cerca de 90% da aeronave física.

O primeiro voo será realizado em Direct Law, modo no qual os pilotos controlam diretamente as superfícies da aeronave, sem todas as proteções automáticas disponíveis na configuração normal. O objetivo é validar o modelo aerodinâmico próprio do cargueiro antes da liberação do sistema completo de controle de voo.

A campanha utilizará os protótipos MSN700 e MSN701. O primeiro será destinado principalmente à avaliação aerodinâmica, dirigibilidade, desempenho de decolagem e piloto automático. Já o segundo concentrará os testes de sistemas, climatização, detecção e propagação de fumaça, além das avaliações em condições de temperaturas extremas.

Parte dos ensaios simulará situações de incêndio no compartimento de carga. Geradores de fumaça serão usados no solo e em voo para verificar os sensores e os procedimentos de despressurização empregados para conter a propagação das chamas, sem a utilização de fogo real.

O programa também incluirá testes de carregamento e descarregamento com contêineres, paletes e cargas representativas. Operadores do setor participarão de algumas avaliações com seus próprios equipamentos e procedimentos, segundo a fabricante.

A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) acompanha a elaboração e a aprovação do plano de testes. Pilotos e engenheiros do órgão deverão participar de voos de desempenho e da fase formal de certificação, prevista para 2027.

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