Acidentes com caminhões em rodovias federais sobem 4,7% em 2026

Foram 7.787 ocorrências nos cinco primeiros meses do ano; Norte teve maior alta proporcional, enquanto Sudeste concentrou o maior número de casos

Redação

O número de acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais brasileiras aumentou 4,7% nos cinco primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 7.787 ocorrências, ante 7.439 entre janeiro e maio de 2025.

Os dados fazem parte de levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) com base em informações da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgado nesta sexta-feira (11). O aumento ocorre em um cenário de envelhecimento da frota brasileira. Cerca de 500 mil caminhões com mais de 25 anos ainda circulam no país, enquanto os emplacamentos de caminhões acumulavam queda de 6,7% até julho, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

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Sudeste concentra ocorrências

O Sudeste registrou o maior número absoluto de acidentes envolvendo caminhões nos cinco primeiros meses do ano, com 2.339 ocorrências. O resultado representa uma alta de 0,39% em relação ao mesmo período de 2025. A região concentra parte importante dos principais corredores de transporte de cargas do país e tem o maior fluxo de veículos pesados.

O Norte, no entanto, apresentou o maior crescimento proporcional. Os acidentes passaram de 462 para 545, uma alta de 17,97%. O contraste entre as regiões também aparece quando se observa a gravidade dos acidentes. No Amazonas, foram registradas 37,7 mortes a cada 100 acidentes com vítimas envolvendo caminhões, segundo o painel da CNT. O índice foi o mais elevado entre os estados.

Pará e Roraima também aparecem entre os estados com maiores taxas, com 29,6 e 28 mortes a cada 100 acidentes com vítimas, respectivamente. Em São Paulo, a taxa foi de 5,5 mortes por 100 acidentes; no Rio de Janeiro, de 6,2; e no Espírito Santo, de 6,9.

Frota antiga

A idade dos veículos aparece como um dos pontos de atenção no cenário. Segundo a CNseg, aproximadamente meio milhão de caminhões com mais de 25 anos circulam atualmente no Brasil. Veículos mais antigos tendem a não contar com recursos de segurança presentes nos modelos mais novos, como sistemas avançados de frenagem e monitoramento. A manutenção também pode representar um desafio adicional para veículos com maior tempo de uso.

Os dados de mercado mostram, ao mesmo tempo, uma retração na renovação da frota. De janeiro a agosto, foram 68.819 unidades emplacadas, contra 72.259 no mesmo período de 2025. Com isso, o segmento ainda acumula queda de 4,76% no ano. A diferença, no entanto, vem sendo reduzida com a melhora das vendas na comparação com os mesmos meses de 2025.

Risco para a operação de carga

Além do impacto sobre motoristas e demais usuários das rodovias, acidentes envolvendo caminhões podem provocar interrupções no transporte de mercadorias, avarias ou perdas de cargas e atrasos nas entregas. O problema ganha dimensão maior em corredores de grande movimentação. No Sudeste, por exemplo, o número absoluto de acidentes é elevado justamente em uma região que concentra importantes fluxos rodoviários de cargas.

O levantamento também mostra que o problema não está restrito aos grandes centros. O crescimento das ocorrências no Norte, associado às longas distâncias percorridas e às características da infraestrutura rodoviária da região, aumenta a exposição ao risco.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 2.080 sinistros provocados por ingestão de álcool entre janeiro e julho deste ano, com 127 mortes e 1.754 feridos. Embora os números incluam todos os tipos de veículos e não apenas caminhões, eles mostram a dimensão dos riscos ainda presentes nas rodovias federais. No feriado da Independência, entre 4 e 7 de setembro, a PRF registrou 1.031 sinistros, 66 mortes e 1.074 feridos nas rodovias federais.

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