Prime Cargo amplia frota em 58% para avançar na saúde

Operador prepara 3,6 mil m² de área climatizada e planeja bases em Pinhais e Vitória

Valeria Bursztein

A Prime Cargo ampliará de 26 para 41 veículos sua frota permanente, um crescimento de quase 58%, em meio à conquista de novos contratos e à expansão das operações especializadas, com forte atuação no segmento de Saúde & Life Science. O grupo também prepara a climatização de cerca de 3,6 mil m² de uma planta de 12 mil m² em Alphaville, na Grande São Paulo, e planeja avançar com bases próprias em Pinhais (PR) e, posteriormente, Vitória (ES).

A expansão ocorre em um mercado no qual o transporte representa apenas uma das etapas da operação. Produtos utilizados por laboratórios e empresas de diagnóstico exigem controle de temperatura, rastreabilidade, armazenagem específica e comprovação das condições da carga durante todo o percurso.

A medicina diagnóstica movimenta mais de R$ 48 bilhões por ano no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). As empresas associadas à entidade respondem por R$ 26,4 bilhões desse mercado e realizaram 973 milhões de exames, equivalentes a 80,6% dos diagnósticos da saúde suplementar.

Wilson Santos, CEO e fundador do Grupo Prime Cargo / Foto: Divulgação

Segundo Wilson Santos, CEO e fundador do Grupo Prime Cargo, o avanço das exigências de rastreabilidade está entre as principais transformações recentes da logística de saúde. “Se você tem um produto de dois a oito graus, eu tenho que provar que, do ponto A até o ponto B, essa temperatura foi constante”, afirma.

A companhia opera com diferentes faixas de temperatura, que podem chegar a -80°C, e utiliza sistemas de monitoramento para registrar as condições da carga ao longo do percurso, integrando essas informações ao controle de entrega e à documentação fiscal.

Menos terceirização

A necessidade de manter controle sobre toda a cadeia também levou a Prime Cargo a reduzir a terceirização em determinadas etapas. Para Santos, a logística de produtos de saúde exige maior domínio da operação, principalmente nas transferências e no atendimento no destino.

“Esse mercado não comporta mais quarteirização, terceirização. É melhor deixar de fazer algumas praças para fazer bem outras”, diz. A estratégia inclui frota própria, veículos locados e parceiros dedicados à companhia, além de investimentos em controle de temperatura e pessoal especializado.

Hoje, mais de 70% das operações da empresa estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Entre os principais gargalos apontados pelo executivo estão as transferências de carga e a disponibilidade de mão de obra especializada no destino.

É nesse contexto que surge a nova base no Paraná. A unidade será instalada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e terá estrutura própria. A intenção é atender diretamente embarcadores em operações nas quais a companhia considera inadequado terceirizar etapas como coleta, transferência e entrega. Vitória, também relacionada ao fluxo de cargas importadas, aparece como o próximo passo da expansão.

Do avião para a rodovia

Outra mudança observada pela empresa é a transferência de determinadas cargas de saúde do transporte aéreo para o rodoviário. Santos aponta limitações de capacidade e de infraestrutura em alguns aeroportos, principalmente para a movimentação de equipamentos médicos de maior porte, como fatores que levam embarcadores a avaliar alternativas.

“Os embarcadores se acostumaram comigo fazendo estudos para transformar o que ele faz no aéreo em rodoviário”, afirma.

Uma das soluções utilizadas são embalagens retornáveis capazes de manter produtos entre 2°C e 8°C por até 144 horas. Segundo Santos, essa autonomia térmica permite substituir o transporte aéreo pelo rodoviário em determinadas rotas, dependendo das características do produto e do prazo de entrega.

As caixas são disponibilizadas aos clientes por meio de locação, enquanto a Prime administra os ativos e a logística reversa. O modelo também busca reduzir o uso de embalagens descartáveis, como isopor e gelo, e diluir seu custo ao longo de vários ciclos de utilização.

Operador amplia serviços na ponta

A companhia também está ampliando sua atuação para além do transporte e da armazenagem. Funcionários estão sendo preparados para executar atividades relacionadas à retirada de equipamentos de diagnóstico instalados em laboratórios, incluindo desconexão, higienização, embalagem e preparação para o transporte de retorno.

A proposta é reduzir a necessidade de deslocamento de técnicos dos fabricantes exclusivamente para acompanhar a desmobilização dos equipamentos. A Prime já oferece o transporte associado a esse serviço em operações realizadas em diferentes regiões do país.

O movimento ocorre em um cenário no qual, segundo Santos, a escassez de mão de obra especializada deixou de estar restrita a motoristas e ajudantes e passou a atingir também as equipes técnicas das empresas de saúde.

A área de diagnóstico é hoje mais representativa para a Prime Cargo do que o mercado de medicamentos. A companhia atende fabricantes de equipamentos e reagentes, distribuidores e laboratórios, com cargas importadas por portos e aeroportos como Santos, Itajaí, Recife e Viracopos, antes de seguirem para armazenagem e distribuição nacional.

Para Santos, a tendência é de uma operação cada vez mais integrada entre transporte, armazenagem, tecnologia e serviços especializados. Nesse modelo, a capacidade de manter o controle da carga ao longo de toda a cadeia — da retirada ao destino final — passa a pesar tanto quanto o próprio deslocamento do produto.

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