A combinação entre juros elevados, expansão dos centros de distribuição e necessidade de ajustar as frotas às oscilações da demanda está ampliando o mercado de locação de empilhadeiras no Brasil. O segmento deve passar de US$ 1,73 bilhão em 2025 para US$ 3,07 bilhões em 2030, avanço acumulado de aproximadamente 77%, segundo projeção da Mordor Intelligence.
Armazenagem e logística responderam por 65,75% do mercado brasileiro de aluguel de empilhadeiras em 2024. Para esse segmento, a consultoria estima crescimento médio anual de 12,32% até 2030, impulsionado pelo comércio eletrônico, pela ampliação da infraestrutura logística e pelo aumento da movimentação de cargas nos centros de distribuição.
A locação permite aumentar ou reduzir a frota conforme o volume de trabalho, atender demandas sazonais e evitar a compra de equipamentos que podem ficar ociosos em determinados períodos. O modelo também é utilizado na indústria, no agronegócio, na construção e nos setores de alimentos e bebidas.
Isso não significa, porém, que o aluguel seja necessariamente mais vantajoso em todas as operações. Em atividades contínuas, com utilização elevada e previsível durante períodos mais longos, a compra pode apresentar melhor relação entre custo e uso. Por esse motivo, algumas empresas combinam equipamentos próprios, destinados à demanda permanente, com unidades locadas para picos de produção, safras, expansão temporária ou projetos específicos.
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São Paulo concentra a maior parcela do mercado nacional, de acordo com a Mordor Intelligence. A liderança está associada à presença de indústrias, operadores logísticos e centros de distribuição, além da infraestrutura de armazenagem e da proximidade com o Porto de Santos.
Para Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, especializada em equipamentos para movimentação de cargas e baterias de lítio, o modelo de gestão da frota passou a considerar não apenas o preço do equipamento, mas também disponibilidade, manutenção e custo ao longo do período de utilização.
“Compra e locação podem coexistir na mesma operação. A decisão depende da intensidade de uso, do horizonte do projeto, da necessidade de expansão e da disponibilidade de capital”, afirma.
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Elétricas lideram crescimento
A eletrificação é outra mudança em curso nesse mercado. As empilhadeiras elétricas devem registrar crescimento médio anual de 13,78% até 2030, o maior entre as fontes de energia analisadas pela consultoria.
A expansão é puxada principalmente pelas operações internas, nas quais emissões, ruído e qualidade do ar têm maior peso na escolha do equipamento. Apesar do avanço, os modelos a combustão ainda representavam 63,87% do mercado brasileiro em 2024.
“A fonte de energia deixou de ser uma decisão exclusivamente operacional. Ambiente de utilização, intensidade do trabalho, manutenção, consumo e metas de eficiência passaram a fazer parte dessa análise”, diz Mello.
Além das características da operação, o custo do crédito influencia a escolha entre compra e locação. Com os financiamentos pressionados pelos juros, a aquisição exige maior desembolso e pode comprometer recursos destinados ao capital de giro ou a outros investimentos. A decisão, portanto, tende a depender menos de uma preferência por determinado modelo e mais do custo total de cada equipamento ao longo de sua utilização.
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