Etanol de cereais avança sobre novas fronteiras agrícolas

Setor tem 27 projetos em desenvolvimento e amplia espaço para o uso de sorgo

Redação

A expansão do etanol de cereais começa a avançar para além das regiões produtoras de milho de Mato Grosso e abre novas oportunidades no MATOPIBA, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O movimento também pode incentivar o cultivo de sorgo em áreas com maior risco climático para a segunda safra de milho.

O Brasil possui atualmente 29 usinas de etanol de milho em operação, com capacidade para processar aproximadamente 20,9 milhões de toneladas do cereal por ano e produzir 10,6 bilhões de litros de combustível. Levantamentos setoriais de 2026 apontam outros 27 projetos em desenvolvimento para os próximos anos.

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Segundo Enilson Nogueira, engenheiro agrônomo e consultor de mercado da Céleres, a indústria ganhou força inicialmente em Mato Grosso como alternativa para agregar valor ao milho produzido longe dos principais centros consumidores. A transformação do grão em etanol reduz o impacto da logística, cria demanda local e fortalece cadeias produtivas regionais.

Com a consolidação desse modelo, o setor começa a buscar regiões com potencial de expansão na produção de cereais. A Bahia já possui uma usina em operação, enquanto o Maranhão também passou a integrar o movimento de implantação de novas unidades.

Nessas áreas, a maior instabilidade da janela de plantio pode favorecer o sorgo, cereal mais tolerante ao déficit hídrico e às altas temperaturas. “O MATOPIBA reúne dois fatores importantes: demanda industrial e um calendário produtivo mais arriscado. Nesse cenário, o sorgo se encaixa muito bem”, afirma Nogueira.

O cereal pode ser processado com uma lógica semelhante à utilizada para o milho e apresentar rendimento próximo na produção de etanol, mediante ajustes industriais. A matéria-prima também pode ganhar espaço no Vale do Araguaia, no leste de Mato Grosso, onde os riscos para o plantio de milho de segunda safra são maiores do que nas regiões já consolidadas do estado.

Outro fator que sustenta a expansão da indústria é a comercialização dos coprodutos, especialmente os grãos secos de destilaria, conhecidos como DDG. Dependendo do modelo de negócio, esses produtos representam entre 20% e 30% da receita das usinas e podem ser utilizados na alimentação de bovinos, aves e suínos.

Para Nogueira, a tendência é que as unidades evoluam para biorrefinarias capazes de processar diferentes cereais, como milho, sorgo e trigo. A flexibilidade permitirá ajustar a matéria-prima conforme preço, disponibilidade regional, produtividade, condições climáticas e custos logísticos.

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