Empresas ganharam uma margem adicional para adaptar seus sistemas à Reforma Tributária, mas continuam obrigadas a se preparar para informar o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nos documentos fiscais eletrônicos.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) flexibilizaram as regras de validação para evitar que documentos sejam rejeitados exclusivamente pela ausência dos campos referentes aos dois novos tributos. A medida reduz o risco de interrupção na emissão de notas fiscais durante a fase inicial da reforma, mas não suspende o cronograma de implementação.
A mudança começou a valer em 3 de agosto, data prevista para o início da primeira etapa da obrigatoriedade de inclusão das informações de IBS e CBS em documentos fiscais eletrônicos. O calendário estabelece diferentes datas de entrada de acordo com o tipo de documento e a operação. NF-e, NFC-e, CT-e e MDF-e estão entre os documentos incluídos na primeira etapa.
Na prática, a ausência dos novos campos não impede, neste momento, a autorização do documento. A flexibilização evita que uma falha de adaptação dos sistemas impeça uma empresa de emitir uma nota, mas outras inconsistências fiscais ou estruturais continuam sujeitas às regras de validação.
Leia mais
Mercado Livre reduz Correios a menos de 5% das entregas
Kia lança primeira picape no Brasil por R$ 249.990 e aposta no agronegócio
Por que a Addiante pediu a falência da Ambipar e o que pode acontecer agora?
Obrigação continua
A diferença entre a obrigação de informar os novos tributos e a regra que determina a rejeição do documento é o principal ponto da mudança.
“A medida reduz o risco imediato de uma empresa ficar impossibilitada de emitir seus documentos fiscais, mas não representa o cancelamento da obrigação”, afirma Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil, consultoria especializada em gestão tributária, financeira, jurídica e contábil para transportadoras.
Segundo ele, as empresas devem aproveitar a flexibilização para concluir as adaptações necessárias em vez de interpretar a medida como uma prorrogação.
“A mudança de última hora concede um período maior de adaptação e reduz o risco de interrupções no faturamento por dificuldades tecnológicas. Mas esse prazo deve ser encarado como uma oportunidade para finalizar a preparação, e não como um adiamento da obrigação”, diz.
O calendário da Reforma Tributária prevê uma implementação gradual dos documentos fiscais. A exigência não começa da mesma forma para todos os contribuintes e documentos. Há novas etapas previstas ao longo de 2026, enquanto empresas do Simples Nacional entram em uma fase posterior, a partir de janeiro de 2027.
Sistemas ainda precisam ser adaptados
Para empresas que ainda não concluíram a atualização dos sistemas fiscais, a flexibilização reduz o risco operacional, mas não elimina a necessidade de adequação.
O processo envolve a atualização dos emissores de documentos fiscais, revisão de cadastros, parametrização dos novos tributos e testes de integração. Também exige a participação de áreas como fiscal, tecnologia, faturamento, logística e jurídico.
“A rejeição não é uma multa, mas um impedimento técnico que pode travar a emissão do documento antes mesmo da autorização”, afirma Brito. “A flexibilização reduz esse risco quando o único problema for a ausência das informações de IBS e CBS, porém as demais regras de validação continuam valendo.”
O tema é especialmente relevante para empresas que emitem grande volume de documentos fiscais, como transportadoras, indústrias, varejistas e operadores logísticos. Uma falha na emissão pode interromper o faturamento e afetar o fluxo de mercadorias.
A Reforma Tributária prevê uma transição gradual para o novo sistema de tributação do consumo. Em 2026, IBS e CBS começam a aparecer nos documentos fiscais e passam por uma fase de adaptação antes da entrada efetiva da nova estrutura de cobrança nos anos seguintes.
Por isso, a flexibilização da validação funciona como uma espécie de período de segurança operacional para as empresas, mas não altera a direção da reforma nem elimina a necessidade de adequação dos sistemas.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



