A A.P. Moller-Maersk elevou novamente sua projeção de resultados para 2026 após registrar forte desempenho no segundo trimestre, impulsionado pela demanda global por transporte marítimo, pela alta das tarifas spot e pelo crescimento dos volumes. A companhia também apontou o aumento do congestionamento portuário, inclusive na costa leste da América do Sul, como um dos fatores que pressionaram os preços do frete.
A receita da Maersk alcançou US$ 15,8 bilhões entre abril e junho, alta de 20% sobre os US$ 13,1 bilhões registrados um ano antes. O EBITDA subjacente chegou a US$ 3 bilhões, ante US$ 2,3 bilhões no segundo trimestre de 2025, enquanto o EBIT avançou de US$ 845 milhões para US$ 1,6 bilhão. A margem EBIT ficou em 10%.
Diante do desempenho, a companhia elevou sua projeção de EBITDA subjacente para 2026 para uma faixa de US$ 10,5 bilhões a US$ 12,5 bilhões, ante US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões anteriormente. A previsão de EBIT subjacente passou de US$ 2 bilhões a US$ 4 bilhões para US$ 4,5 bilhões a US$ 6,5 bilhões. A empresa também passou a projetar fluxo de caixa livre positivo no ano.
O principal motor do trimestre foi a operação marítima. A receita do segmento cresceu 23%, enquanto os volumes carregados aumentaram 4,1%, puxados pelas exportações asiáticas. A tarifa média de frete por contêiner avançou 22%, e a utilização dos navios permaneceu elevada, em 96%. O EBIT da divisão saltou para US$ 935 milhões, contra US$ 229 milhões um ano antes e resultado negativo de US$ 192 milhões no primeiro trimestre deste ano.
Segundo a Maersk, o aumento das tarifas spot ocorreu em um cenário de demanda forte, desequilíbrio crescente dos fluxos comerciais, restrição de capacidade e congestionamento portuário. A companhia destacou problemas em diferentes regiões, incluindo Europa, Oriente Médio, África Ocidental e a costa leste da América do Sul.
A pressão sobre a infraestrutura logística é, inclusive, um dos pontos centrais da avaliação do presidente-executivo da Maersk, Vincent Clerc. Segundo ele, o forte fluxo de cargas originado no Extremo Oriente desde 2024 tornou os fluxos comerciais mais desequilibrados e levou os volumes a desafiar a capacidade da infraestrutura terrestre. A empresa observa congestionamentos que vão dos portos ao transporte rodoviário em diferentes mercados.
Brasil ganha peso na estratégia
No Brasil, o movimento mais relevante anunciado no trimestre foi a inauguração do novo terminal da APM Terminals em Suape, em Pernambuco. O projeto recebeu investimento de US$ 350 milhões e é apresentado pela Maersk como o primeiro terminal de contêineres totalmente eletrificado do continente.
Além da estrutura portuária, a companhia colocou em operação uma nova unidade de distribuição e armazenagem na região, ampliando a oferta de serviços integrados de logística no Nordeste brasileiro.
O terminal de Suape tem capacidade inicial para movimentar 400 mil TEUs por ano. A estrutura conta com equipamentos 100% elétricos, incluindo guindastes, tratores de terminal e reach stackers, além de portões automatizados, sistema de agendamento de caminhões e rastreamento de ativos em tempo real.
O investimento ocorre justamente em um momento em que a Maersk identifica maior pressão sobre a infraestrutura portuária da América do Sul. A empresa já vinha ampliando sua presença no Nordeste. No terminal de Pecém, no Ceará, a APM Terminals registrou forte crescimento de movimentação em 2025 e anunciou um plano de investimento de R$ 200 milhões para modernização e expansão da capacidade.
A estratégia indica que a Maersk não está olhando apenas para o crescimento do transporte marítimo, mas também para os gargalos que surgem nos demais elos da cadeia. A companhia tem direcionado investimentos para terminais, armazenagem e transporte terrestre, buscando ampliar a capacidade de controlar o fluxo da carga do porto ao destino final.
Logística ganha espaço
O segmento de Logística e Serviços também apresentou crescimento no segundo trimestre. A receita aumentou 15% em relação ao mesmo período de 2025 e 11% na comparação com o primeiro trimestre. A margem EBIT chegou a 5,1%, avanço de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
O resultado foi liderado pelo transporte terrestre, enquanto o negócio de agenciamento de cargas se beneficiou do crescimento dos volumes de transporte aéreo e de logística de projetos. O EBIT da divisão alcançou US$ 217 milhões, contra US$ 175 milhões um ano antes.
Para a Maersk, o cenário reforça a necessidade de ampliar capacidade logística em terra. A companhia estima que o mercado global de contêineres crescerá cerca de 4% em 2026. Ao mesmo tempo, a empresa avalia que os gargalos permanecerão relevantes e exigirão investimentos em infraestrutura e escala operacional.
A área de Terminais teve receita 11% maior no trimestre, apoiada por aumento de 7,1% na receita por movimentação e crescimento de 2,2% nos volumes. O EBIT, porém, ficou praticamente estável, em US$ 458 milhões, ante US$ 461 milhões um ano antes.
Para o Brasil, o desempenho da Maersk adiciona um elemento importante ao cenário de comércio exterior: o aumento da demanda por cargas originadas na Ásia, combinado com maior congestionamento e necessidade de capacidade portuária, pode favorecer investimentos em novos hubs e alternativas aos grandes corredores tradicionais.
No Nordeste, a expansão de Suape ocorre ao lado do crescimento de Pecém, criando uma rede de terminais capaz de ampliar as opções de embarque, desembarque e distribuição de cargas na região. A APM Terminals considera Suape um novo ponto de conexão entre as cadeias domésticas e os mercados internacionais.
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