A recuperação da demanda por transporte marítimo de contêineres e a alta das tarifas de frete ajudaram a Hapag-Lloyd a melhorar o desempenho no segundo trimestre de 2026, apesar dos impactos do conflito no Oriente Médio. A companhia alemã registrou EBITDA de US$ 829 milhões no período, ligeiramente acima dos US$ 820 milhões apurados um ano antes.
O resultado mostra uma melhora em relação ao início do ano, quando a empresa enfrentou interrupções operacionais. Entre abril e junho, os volumes transportados e as tarifas spot avançaram, impulsionados principalmente pelo aumento das exportações asiáticas e pela recuperação da demanda nos Estados Unidos.
A receita do grupo alcançou US$ 5,84 bilhões, ante US$ 5,27 bilhões no segundo trimestre de 2025. O lucro, porém, caiu para US$ 83 milhões, contra US$ 306 milhões um ano antes, enquanto o EBIT recuou de US$ 189 milhões para US$ 176 milhões. (MarineLink)
Frete médio sobe 9%
Na operação de transporte marítimo, a Hapag-Lloyd movimentou 3,5 milhões de TEUs no segundo trimestre, contra 3,4 milhões no mesmo período de 2025. O principal impulso veio das tarifas. O frete médio subiu 9% em um ano, para US$ 1.475 por TEU, ante US$ 1.354 por TEU no segundo trimestre de 2025. A receita da divisão de transporte marítimo chegou a US$ 5,68 bilhões. (Hapag-Lloyd)
Mesmo com a melhora das receitas, o EBITDA do negócio de transporte marítimo caiu para US$ 773 milhões, de US$ 810 milhões no segundo trimestre de 2025. O EBIT ficou em US$ 153 milhões.
A queda foi provocada principalmente pelos custos adicionais decorrentes da situação no Oriente Médio. O bloqueio do Estreito de Ormuz elevou as despesas com combustível, seguros, armazenagem, desvios de rotas e transporte terrestre. No segundo trimestre, esses impactos chegaram a aproximadamente US$ 600 milhões. (Hapag-Lloyd)
Terminais ganham importância
Enquanto o negócio de transporte marítimo sofreu com o aumento dos custos, a divisão de Terminais e Infraestrutura apresentou crescimento. A receita chegou a US$ 191 milhões no segundo trimestre, impulsionada pela primeira consolidação integral do negócio de contêineres da JM Baxi e pelo crescimento dos volumes na América Latina. O EBITDA aumentou para US$ 55 milhões, enquanto o EBIT ficou em US$ 21 milhões. (Hapag-Lloyd)
Segundo Rolf Habben Jansen, CEO da Hapag-Lloyd, a rede Gemini — parceria formada com a Maersk — manteve elevada confiabilidade dos serviços mesmo diante das dificuldades operacionais.
“O segundo trimestre foi melhor que o primeiro, impulsionado por tarifas spot significativamente mais altas e uma demanda sólida”, afirmou o executivo. Ele acrescentou que o negócio de terminais está ganhando relevância estratégica para a companhia.
Projeção já havia sido elevada em julho
A Hapag-Lloyd já havia elevado sua projeção para 2026 em 13 de julho, antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre. A companhia passou a estimar um EBITDA entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,7 bilhões, ante a faixa anterior de US$ 1,1 bilhão a US$ 3,1 bilhões. Para o EBIT, a projeção passou de uma faixa entre -US$ 1,5 bilhão e US$ 500 milhões para US$ 100 milhões a US$ 1,1 bilhão. (Hapag-Lloyd)
A empresa mantém, porém, um alerta sobre a volatilidade do mercado. As projeções estão sujeitas à evolução das tarifas de frete e aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Para o segundo semestre, a estratégia é combinar a expansão do transporte marítimo com o crescimento dos terminais, ao mesmo tempo em que a companhia pretende manter controle rigoroso dos custos. (Hapag-Lloyd)
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