A Petrobras recebeu a primeira embarcação de apoio offshore do Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e à ampliação da frota utilizada nas operações de petróleo e gás. Construído em Itajaí (SC), o Starnav Elektra recebeu investimento de aproximadamente R$ 450 milhões e seguirá para operar nas bacias petrolíferas brasileiras.
O navio foi batizado no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, e é o primeiro de uma carteira de dez embarcações da Starnav apoiada por financiamentos que somam R$ 3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A entrega abre uma etapa concreta do programa de renovação da Petrobras, que prevê o afretamento de 40 novos barcos de apoio até 2030. A carteira inclui 12 embarcações do tipo platform supply vessel (PSV), dez destinadas ao combate a derramamentos de óleo (OSRV), 16 de suporte a veículos submarinos (RSV) e duas para operações de ancoragem (AHTS). O plano da estatal reserva US$ 2 bilhões para essas contratações.
Segundo infomações divulgadas pela Agência BNDES, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard divulgou que 48 barcos deverão estar contratados até o final de 2026. A projeção da companhia é alcançar 96 embarcações contratadas em 2027, considerando também barcaças e empurradores.
Série recebe R$ 3 bilhões do BNDES
Em 2024, o BNDES contratou R$ 500 milhões em crédito para a Starnav construir dois PSVs no Estaleiro Detroit, que pertence ao mesmo grupo econômico da armadora. O Elektra é a primeira dessas unidades a ser concluída.
No ano seguinte, o banco aprovou mais R$ 2,5 bilhões para outras oito embarcações, sendo quatro PSVs e quatro OSRVs. Esse segundo financiamento equivale a pouco mais de 88% do investimento de quase R$ 2,9 bilhões previsto para o conjunto.
As oito unidades terão capacidade de 5.500 toneladas de porte bruto, acima das 4.500 toneladas dos navios que compõem a frota atual da Starnav. A empresa, criada em 2007 pelo Grupo Detroit, opera 18 embarcações de apoio offshore no país. Treze delas foram financiadas anteriormente pelo BNDES com recursos do Fundo da Marinha Mercante.
Embora estejam reunidas na carteira de financiamento da armadora, as dez embarcações não pertencem a uma única série. Os projetos abrangem tipos e contratos distintos, destinados a diferentes atividades de apoio às operações da Petrobras.
Propulsão híbrida
O Starnav Elektra é um PSV, navio responsável pelo transporte de suprimentos entre as bases terrestres e as plataformas de exploração e produção em alto-mar. Essas embarcações levam cargas como água, óleo diesel, cimento, lama, produtos químicos, equipamentos, tubulações, peças e alimentos.
O navio utiliza um sistema diesel-elétrico combinado com banco de baterias. A tecnologia permite armazenar energia, reduzir a necessidade de acionamento dos geradores em determinados momentos da operação e diminuir o consumo de combustível.
De acordo com o BNDES, a motorização híbrida deverá reduzir em aproximadamente 18% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com a frota atual. Os novos PSVs também terão monitoramento de consumo por telemetria e poderão ser adaptados futuramente para operar parcialmente com combustível renovável. Sistemas de pintura e proteção contra incrustações no casco completam o conjunto de soluções destinadas a melhorar a eficiência energética.
Já os OSRVs terão equipamentos para localizar, conter e recolher óleo derramado no mar. Entre os sistemas previstos estão tanques específicos para o material recolhido, barreiras infláveis, dispersores químicos, canhões de combate a incêndio e holofotes ultravioletas para operações noturnas.
Contratos impulsionam estaleiros
O Elektra foi construído pelo Estaleiro Detroit, em Itajaí, reforçando a participação dos estaleiros catarinenses no novo ciclo de encomendas offshore. Nos contratos firmados em 2024 para 12 PSVs, divididos entre Starnav e Bram Offshore, a Petrobras estabeleceu prazo de até quatro anos para mobilização, 12 anos de operação e conteúdo local mínimo de 40% na construção.
Os acordos somam R$ 16,5 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões correspondem aos investimentos na construção naval brasileira. Cada uma das duas armadoras ficou responsável por seis embarcações naquele lote.
A viagem inaugural entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro também foi realizada por uma tripulação formada por 16 mulheres, sob o comando de Isabela Teixeira Ponce de Leon. A Petrobras não informou se a mesma composição será mantida durante a operação regular do navio nas plataformas.
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