Allog cresce 47% no ano e amplia liderança nas exportações por contêineres

Levantamento da consultoria Datamar mostra mudanças entre os principais intermediários de transporte marítimo no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai de janeiro a julho

Aline Feltrin

A Allog ampliou a liderança entre os intermediários de transporte marítimo (OTIs) nas exportações brasileiras de contêineres no primeiro semestre de 2026. A empresa movimentou 41,4 mil TEUs de janeiro a julho, alta de 47,2% sobre os 28,1 mil TEUs registrados no mesmo período de 2025. O crescimento ocorreu em um mercado que movimentou 586,5 mil TEUs no período, 7,5% acima do volume de um ano antes.

Os dados fazem parte do ranking dos 50 principais Ocean Transportation Intermediaries (OTIs) elaborado pela consultoria Datamar, com base em diferentes fontes coletadas e ajustadas pela equipe de Business Intelligence da empresa. Por essa razão, os volumes podem apresentar diferenças em relação aos registrados no DataLiner.

A segunda posição no ranking brasileiro de exportações ficou com a ES Logistics, que movimentou 32,9 mil TEUs, crescimento de 6,1%. A Kuehne & Nagel aparece em terceiro, com 28,2 mil TEUs, queda de 11,5% na comparação anual.

A diferença entre as três primeiras posições aumentou ao longo do período. A Allog acrescentou 13,3 mil TEUs ao volume movimentado em relação a 2025, enquanto a ES Logistics teve acréscimo de 1,9 mil TEUs. Já a Kuehne & Nagel perdeu 3,7 mil TEUs.

Na sequência, Amtrans e DSV apresentaram crescimento acima da média do mercado. A Amtrans movimentou 20,6 mil TEUs, alta de 29,8%, enquanto a DSV chegou a 19,9 mil TEUs, avanço de 39,8%. DHL e DC Logistics Brasil também cresceram, 16,6% e 5,4%, respectivamente.

Entre as dez primeiras colocadas, os maiores avanços percentuais foram registrados pela CSA do Brasil, que quase dobrou o volume, passando de 5,5 mil para 10,6 mil TEUs, alta de 93,8%. A empresa ficou na nona posição. A Asia Shipping, oitava colocada, cresceu 21,3%, para 12 mil TEUs.

Redução significativa de volumes

Fora do grupo das dez maiores, o levantamento mostra movimentos ainda mais acentuados. A Scan Global Logistics aumentou em 126,2% os embarques, para 6,2 mil TEUs, enquanto a Maersk avançou 92,2%, para 8 mil TEUs.

A DP World passou de 272 TEUs para 5 mil TEUs, crescimento de 1.735,3%. Nova Era Consultoria Aduaneira e LogX também registraram altas expressivas, de 1.019,9% e 433%, respectivamente. Nesses casos, entretanto, os percentuais elevados refletem uma base de comparação relativamente pequena.

A lista também mostra empresas com redução significativa dos volumes. A Interglobo caiu 32,6%, para 5,6 mil TEUs; a Geodis Wilson recuou 28,4%, para 5,2 mil; e a Savino Del Bene teve queda de 49%, para 2,6 mil TEUs. A J.C. Assessoria, por sua vez, caiu 24,2%, para 7,8 mil TEUs.

Mesmo com o crescimento do mercado, o grupo classificado pela Datamar como “outros” caiu 9,1%, de 207,2 mil para 188,4 mil TEUs. A categoria ainda responde por 32,1% do total das exportações brasileiras listadas no levantamento.

Importações têm expansão mais forte

O movimento é diferente nas importações brasileiras. Os 50 OTIs relacionados pela Datamar movimentaram 1,388 milhão de TEUs entre janeiro e julho, alta de 15,8% sobre os 1,199 milhão de TEUs registrados no mesmo período de 2025.

A Asia Shipping liderou com ampla vantagem, com 135,6 mil TEUs, crescimento de 9,1%. A CTS Global Logistics Brasil apareceu em segundo, com 45,8 mil TEUs, contra apenas 627 TEUs no mesmo período do ano passado. O crescimento percentual de 7.208,9% reflete, portanto, uma base de comparação muito baixa.

A Kuehne & Nagel ficou em terceiro, praticamente estável, com 44,3 mil TEUs e alta de 0,1%. ES Logistics e DSV completaram as cinco primeiras posições. A primeira cresceu 36,3%, para 42,3 mil TEUs, enquanto a segunda caiu 7,7%, para 42,1 mil TEUs.

Outro destaque foi a Scan Global Logistics, que passou de 15,4 mil para 36,3 mil TEUs, alta de 135%. CEVA Logistics cresceu 65,4%, para 24,3 mil TEUs, enquanto Maersk avançou 24%, para 11,2 mil TEUs.

O comportamento das importações também se diferencia pela participação dos grandes operadores. A categoria “outros” respondeu por 34,8% do total, com 482,4 mil TEUs, alta de 12,2% sobre 2025.

Argentina tem cenário mais fragmentado

Na Argentina, o volume movimentado pelos 50 principais OTIs nas exportações somou 70,8 mil TEUs, queda de 4,6% sobre os 74,3 mil TEUs do mesmo período de 2025.

A Transcargo manteve a primeira posição, com 3,3 mil TEUs, apesar da redução de 5,2%. A Ruca Logistics ficou em segundo, praticamente estável, com 2,9 mil TEUs. A terceira colocada, A&S Logistics, teve crescimento de 92,2%, chegando a 2,6 mil TEUs.

A Kuehne & Nagel aparece em quarto lugar, com 2,6 mil TEUs, alta de 41,6%, enquanto a Global Rover ocupou a quinta posição, com 2,3 mil TEUs, avanço de 11,8%.

O ranking argentino também registra movimentos fortes entre empresas de menor base. A ATL Cargo cresceu 240,1%, para 1,7 mil TEUs, enquanto a Project Cargo avançou 87,2%, para 1,9 mil TEUs.

Nas importações argentinas, o mercado apresentou retração ainda maior. Os 50 OTIs movimentaram 233,3 mil TEUs, queda de 7,7% sobre os 252,7 mil TEUs de janeiro a julho de 2025.

A Locksley Logística liderou, com 14,5 mil TEUs, mas teve queda de 31,7%. Yusen Logistics ficou em segundo, com 11,6 mil TEUs, alta de 10,1%, enquanto Kuehne & Nagel recuou 13,5%, para 11,2 mil TEUs.

A Blu Logistics apresentou uma das maiores retrações entre os principais operadores, de 63,6%, passando de 12,9 mil para 4,7 mil TEUs.

Paraguai e Uruguai

No mercado formado por Paraguai e Uruguai, o comportamento foi diferente do argentino. As exportações movimentadas pelos principais OTIs chegaram a 20 mil TEUs, alta de 31,3%.

A Kuehne & Nagel liderou com 4 mil TEUs, crescimento de 7,8% e participação de 20% do mercado. Cargopack ficou em segundo, com 1,5 mil TEUs, contra apenas 81 TEUs um ano antes. FCL Paraguay ocupou a quarta posição, com 1,2 mil TEUs e alta de 2.186,5%.

Nas importações, o volume também cresceu. O mercado chegou a 96 mil TEUs, e a PlusCargo liderou com 6,7 mil TEUs, alta de 6,9%. HB Logística ficou em segundo, com 6,1 mil TEUs e crescimento de 33,5%, seguida por Navicon, com 5,9 mil TEUs.

A Rhenus Logistics apresentou uma das maiores expansões entre os principais operadores, passando de 440 TEUs para 2,7 mil TEUs, alta de 519%. MSL Corporate cresceu 41,3%, enquanto Craft avançou 34,9%.

Os números mostram, portanto, comportamentos distintos nos mercados da região. No Brasil, o crescimento das exportações foi acompanhado por forte expansão de alguns OTIs, enquanto as importações avançaram em ritmo ainda maior. Na Argentina, os dois fluxos recuaram, e em Paraguai e Uruguai houve crescimento tanto nas exportações quanto nas importações.

Os 10 maiores intermediários de transporte marítimo

PosiçãoEmpresaJan-jul/2026 (TEUs)Jan-jul/2025 (TEUs)Variação
1Allog Transportes Internacionais41.40828.124+47,2%
2ES Logistics32.85730.966+6,1%
3Kuehne & Nagel28.18631.866-11,5%
4Amtrans20.64515.903+29,8%
5DSV19.87914.218+39,8%
6DHL15.05412.907+16,6%
7DC Logistics Brasil13.52912.833+5,4%
8Asia Shipping12.0249.913+21,3%
9CSA do Brasil10.6225.482+93,8%
10CSS10.3169.302+10,9%

Fonte: Datamar.

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