Algodão do Maranhão ganha rota ferroviária até Santos

Operação inaugural movimentou 246 toneladas pela Norte-Sul e abre alternativa logística para exportações do Matopiba

Redação

O algodão produzido no Maranhão ganhou uma nova alternativa de escoamento para exportação pelo Porto de Santos. Brado e SLC Agrícola realizaram a primeira operação multimodal entre o Estado e o complexo portuário paulista, com o transporte de 246,2 toneladas de pluma de algodão.

A carga saiu de Davinópolis (MA) por ferrovia até Sumaré (SP) e percorreu de caminhão o trecho final até Santos, onde foi embarcada com destino ao Sudeste Asiático. A expectativa das empresas é realizar novos carregamentos nos próximos meses.

A operação cria um novo corredor para a produção do Matopiba — região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — em um momento de expansão da cotonicultura para novas fronteiras agrícolas. Até agora, parcela relevante da produção regional destinada aos portos do Sul e Sudeste dependia do transporte rodoviário de longa distância.

Ferrovia diversifica escoamento

A nova alternativa utiliza a Ferrovia Norte-Sul, eixo com mais de 2,7 mil quilômetros que conecta regiões produtoras do interior à malha ferroviária em direção ao Sudeste. Para a SLC Agrícola, a operação também funciona como avaliação de uma nova configuração logística para as exportações.

“A avaliação dessa nova alternativa de escoamento amplia as possibilidades de integração entre os modais e gera aprendizados relevantes para o desenvolvimento de operações futuras”, afirma Thiago Sanches, coordenador de Logística da SLC Agrícola.

Segundo Mayra Antunes Coelho, executiva de vendas da Brado, a expansão da produção agrícola exige novas soluções de transporte. “À medida que a produção avança para novas regiões, a logística precisa acompanhar esse movimento com soluções que ofereçam escala, previsibilidade e eficiência”, afirma.

Brado e SLC já utilizam soluções integradas para o transporte de algodão produzido em Mato Grosso desde 2020.

A abertura do corredor ocorre em meio ao avanço das exportações brasileiras da commodity. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados pelas empresas, o Brasil exportou mais de 3 milhões de toneladas de algodão em 2025, alta de 9,1% sobre o ano anterior. A área cultivada no país já supera 2 milhões de hectares, de acordo com a Conab, aumentando a pressão por alternativas de escoamento entre as novas fronteiras produtoras e os portos.

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