A escalada das tensões no Oriente Médio começa a aparecer na estrutura de custos das empresas brasileiras de transporte. A alta do petróleo e o risco de restrições no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de circulação de petróleo no mundo, elevaram a preocupação de companhias aéreas, operadores logísticos e empresas dependentes de combustíveis. Levantamento da Qive, plataforma de gestão financeira, mostra que o querosene de aviação (QAV) foi o combustível com maior aumento de preço entre 2024 e 2026, com alta de 49,8%. O litro passou de R$ 5,66 para R$ 8,48 no período.
Segundo a empresa, se o volume de consumo registrado em 2025 tivesse sido mantido nos níveis de preço mais elevados de 2026, o setor aéreo teria enfrentado um custo adicional estimado em R$ 7,8 bilhões. O estudo analisou 17,7 milhões de notas fiscais eletrônicas, que movimentaram R$ 386,4 bilhões, considerando combustíveis utilizados em diferentes setores, como aviação, transporte rodoviário e navegação.
O impacto foi mais intenso no setor de transporte e logística. Nos cinco primeiros meses de 2026, o volume movimentado dos principais combustíveis analisados caiu, em média, 11,5%. No caso do querosene de aviação, a retração chegou a 62,6%.
Segundo a Qive, o movimento indica que empresas reduziram compras diante da volatilidade dos preços, adotando uma estratégia de cautela enquanto aguardavam uma definição sobre a duração do conflito.
“O comportamento sugere uma contenção imediata das compras, com empresas buscando evitar estoques elevados de insumos caros”, afirma Daniel Paschino, CFO da Qive.
Aviação tenta equilibrar demanda e combustível mais caro
Apesar da pressão sobre os custos, o mercado aéreo brasileiro mantém trajetória de expansão. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que as companhias ampliaram a oferta de voos em junho de 2026. A oferta de assentos, medida pelo indicador ASK (assentos-quilômetros oferecidos), cresceu 3,3% na comparação com junho de 2025, enquanto a demanda avançou 0,2%. A taxa média de ocupação das aeronaves nos voos domésticos ficou em 80,7%.
No acumulado do primeiro semestre, a aviação comercial brasileira transportou 65,2 milhões de passageiros, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Anac. O desempenho indica continuidade da recuperação do mercado, mesmo com o aumento dos custos operacionais.
O principal ponto de atenção para as companhias segue sendo o querosene de aviação (QAV), um dos maiores componentes da estrutura de despesas do setor. Levantamento da Qive aponta que o combustível acumulou alta de 49,8% entre 2024 e 2026, passando de R$ 5,66 para R$ 8,48 por litro.
Mesmo diante desse cenário, as tarifas aéreas domésticas não acompanharam na mesma proporção o aumento do combustível. Segundo dados da Anac, o valor médio pago pelos passageiros em junho foi de R$ 660,54 por trecho, alta de apenas 0,3% na comparação anual.
No transporte aéreo de cargas, a pressão sobre custos também começa a aparecer. A consultoria Xeneta revisou sua projeção para o mercado global de frete aéreo em 2026 e passou a estimar alta entre 5% e 15% nas tarifas de contratos de longo prazo, após anteriormente prever queda entre 5% e 10%.
Segundo a Xeneta, a instabilidade no Oriente Médio reduziu cerca de 12% da capacidade global de carga aérea e limitou o crescimento da oferta a 1% no primeiro semestre de 2026, enquanto a demanda avançou 4%. Como resultado, as tarifas globais de carga aérea, considerando contratos de longo prazo e mercado spot, acumulam alta de 17% na comparação anua
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