Enquanto a produção agrícola brasileira avança para novas fronteiras, cresce também uma operação logística pouco conhecida fora do setor: a logística reversa das embalagens de defensivos agrícolas. O Sistema Campo Limpo, programa nacional presente em 25 estados e no Distrito Federal que organiza a coleta, o transporte e a destinação ambientalmente adequada dessas embalagens, destinou corretamente 75.996 toneladas de materiais em 2025, volume 11% superior ao registrado no ano anterior. Para atender essa operação, foram realizadas 18.809 viagens de caminhões ao longo de 7,98 milhões de quilômetros — distância equivalente a quase 200 voltas ao redor da Terra.
O crescimento acompanha a expansão do agronegócio em regiões como o Matopiba e o norte de Mato Grosso, onde o aumento da produção elevou a demanda por estruturas de recebimento e processamento das embalagens.
Para atender esse movimento, o Sistema Campo Limpo incorporou quatro novas centrais em 2025, localizadas no Pará, Maranhão e Rondônia, além de nove postos de recebimento. A expansão continua neste ano, com novas unidades previstas em Formosa (GO), Campos Lindos (TO), Sorriso, Porto Alegre do Norte e Brasnorte (MT), entre outras localidades.

Segundo Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV, entidade gestora do Sistema Campo Limpo, a abertura de novas unidades não ocorre apenas em função do crescimento da produção agrícola. A decisão considera fatores como o volume de embalagens geradas, a distância entre as propriedades rurais e as unidades existentes e as condições logísticas de cada região, com o objetivo de aproximar os pontos de devolução dos agricultores e aumentar a eficiência da operação. “À medida que o agronegócio avança, precisamos ampliar continuamente nossa capacidade operacional para atender novas regiões produtoras, mantendo eficiência e sustentabilidade”, afirma.
Hoje, o Sistema Campo Limpo reúne 424 unidades de recebimento distribuídas por 25 estados e pelo Distrito Federal, sendo 107 centrais e 317 postos. A estrutura é complementada pelos Recebimentos Itinerantes, que levaram o serviço a regiões mais remotas em 4.795 operações realizadas em 2025.
Operação permanece 100% rodoviária
Toda a movimentação das embalagens continua sendo realizada por caminhões, realizado por operadores e transportadoras contratados. Após a devolução pelos agricultores, os postos encaminham o material às centrais, onde ocorre a inspeção, separação, processamento e compactação das embalagens. A partir daí, o inpEV coordena o transporte até recicladoras, unidades de coprocessamento e incineradores licenciados por meio de operadores logísticos contratados.
Em 2025, a operação envolveu 13.586 viagens entre postos e centrais e outras 5.223 entre as centrais e os destinos finais, média superior a 50 deslocamentos de caminhões por dia. Do total de embalagens recebidas, 92% seguiram para reciclagem, enquanto 6% foram destinadas à incineração controlada, 1% ao coprocessamento com recuperação energética e outro 1% à reutilização das grades metálicas de embalagens do tipo IBC.
As embalagens recicladas retornam à cadeia produtiva na forma de 38 artefatos homologados, entre eles novas embalagens e tampas para defensivos agrícolas, dutos corrugados, tubos para saneamento, caixas para baterias, postes de sinalização e cruzetas para redes de distribuição de energia. No caso das embalagens plásticas rígidas primárias, a taxa de reciclagem alcançou 100% em 2025.
Para Okamura, o principal desafio da operação está na dimensão territorial brasileira e na interiorização da produção agrícola. “À medida que a agricultura avança para áreas mais distantes, aumentam as distâncias entre as propriedades rurais, as unidades de recebimento e os destinos responsáveis pela reciclagem e pelo tratamento das embalagens. Isso exige planejamento permanente das rotas, integração entre postos, centrais, transportadoras e empresas responsáveis pela destinação final, além do melhor aproveitamento da capacidade dos caminhões.”

Mais volume, menor custo
Apesar de movimentar um volume 11% maior de embalagens em 2025, o Sistema Campo Limpo conseguiu reduzir seus custos operacionais. O gasto operacional por quilograma de embalagem caiu 5%, enquanto o custo do frete recuou 1,5%.
Segundo o inpEV, os ganhos foram resultado da revisão das rotas, da otimização das tabelas de transporte, da automação de processos, da modernização dos equipamentos e do aprimoramento dos controles operacionais.
No período, também foram reformadas 150 prensas, parte delas automatizada, aumentando a produtividade na compactação das embalagens e melhorando o aproveitamento da capacidade de carga dos caminhões.
Referência mundial
Criado em 2002, o Sistema Campo Limpo é considerado uma das maiores referências mundiais em logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas. Desde sua criação, já destinou corretamente mais de 900 mil toneladas de embalagens pós-consumo, resultado alcançado por meio de um modelo baseado na responsabilidade compartilhada entre agricultores, fabricantes, canais de distribuição e poder público.
Em 2025, 92% das embalagens recebidas foram encaminhadas para reciclagem, 6% seguiram para incineração controlada, 1% para coprocessamento com recuperação energética e outro 1% para reutilização de grades metálicas de embalagens do tipo IBC. No caso das embalagens plásticas rígidas primárias, a taxa de reciclagem alcançou 100%, índice que coloca o Brasil entre as principais referências internacionais nesse tipo de operação.
Os materiais retornam à cadeia produtiva na forma de 38 produtos homologados, como novas embalagens e tampas para defensivos agrícolas, tubos para saneamento, caixas de baterias, postes de sinalização e cruzetas para redes elétricas.
A expansão da rede continuará em 2026, com novas centrais previstas em Goiás, Tocantins e Mato Grosso. Segundo Okamura, acompanhar o avanço da agricultura exigirá investimentos permanentes em infraestrutura logística, ampliação da capacidade operacional e modernização das unidades para atender regiões cada vez mais distantes dos centros de reciclagem.
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