A escalada do conflito no Oriente Médio alterou as perspectivas para o mercado global de carga aérea em 2026. Após projetar, no fim de 2025, uma queda de 5% a 10% nas tarifas dos contratos de longo prazo, a consultoria Xeneta agora estima uma alta entre 5% e 15% ao longo deste ano. A projeção reflete os impactos da redução da capacidade operacional provocada pela instabilidade geopolítica.
A revisão dass também alcançou a demanda e a oferta. A expectativa de crescimento da demanda foi elevada para o teto da faixa de 2% a 3%, enquanto a expansão da capacidade foi reduzida para o piso do mesmo intervalo, após a estimativa anterior variar entre 3% e 4%.
Segundo a Xeneta, os ataques registrados no fim de fevereiro retiraram imediatamente cerca de 12% da capacidade global de carga aérea, limitando o crescimento da oferta a apenas 1% no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, a demanda avançou 4%, acima das previsões iniciais, ampliando o desequilíbrio entre oferta e procura.
Como consequência, as tarifas globais de carga aérea — considerando contratos de longo prazo e operações no mercado spot — acumularam alta de 17% na comparação anual.
De acordo com a consultoria, as tarifas spot chegaram a subir quase 40% em maio na comparação com o mesmo período do ano anterior, embora tenham apresentado alguma estabilização nas últimas semanas. Mesmo com a incerteza geopolítica, a demanda continua resiliente. A expectativa é de que o consumo desacelere na segunda metade do ano, enquanto a capacidade seja gradualmente restabelecida.
A crise evidenciou a capacidade de adaptação do transporte aéreo diante de grandes interrupções. Apesar do fechamento temporário de importantes hubs no Oriente Médio, operações charter foram reorganizadas em poucos dias, permitindo a retomada parcial dos fluxos logísticos.
Inteligência artificial impulsiona mercado
O levantamento mostra ainda uma mudança no perfil da demanda. Os embarques relacionados à cadeia de inteligência artificial, especialmente semicondutores e equipamentos de hardware, tornaram-se um dos principais motores do transporte aéreo internacional.
De acordo com a Xeneta, as vendas globais de semicondutores cresceram 106% em abril de 2026 na comparação anual, o maior avanço já registrado, fortalecendo a rota transpacífica como o principal corredor para esse tipo de carga.
Na direção oposta, o comércio eletrônico perdeu força. As exportações chinesas de produtos de baixo valor e mercadorias destinadas ao e-commerce recuaram 7% em maio, acumulando seis meses consecutivos de queda.
O cenário foi reforçado pela decisão da União Europeia de extinguir, em 1º de julho, a isenção tarifária para importações inferiores a 150 euros. A medida foi substituída por uma cobrança fixa de 3 euros por item, além de uma taxa adicional de gestão prevista para entrar em vigor em novembro.
Na avaliação da Xeneta, embora a recuperação gradual da capacidade possa aliviar parte da pressão sobre os embarcadores ao longo do segundo semestre, o ambiente geopolítico permanece altamente volátil. Novos episódios de interrupção podem voltar a reduzir a oferta de espaço nas aeronaves, mantendo a pressão sobre os custos logísticos e reforçando a importância do monitoramento em tempo real das condições do mercado.
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