A gestão das emissões geradas pelo transporte de insumos agrícolas começa a ganhar espaço nas estratégias ambientais das empresas do agronegócio, segmento em que fertilizantes, corretivos, sementes e outros produtos percorrem milhares de quilômetros até chegar às propriedades rurais.
Nesse cenário, a Agronelli, fabricante mineira de fertilizantes, corretivos e condicionadores de solo, informou ter neutralizado integralmente as emissões associadas ao transporte de mais de 1 milhão de toneladas de insumos agrícolas ao longo de 2025. Segundo dados divulgados pela companhia, o programa Frete Verde compensou 7,1 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) no período, volume 36% superior às 5,2 mil toneladas neutralizadas em 2024. Ao longo do ano, as operações monitoradas percorreram cerca de 8,5 milhões de quilômetros.
Criado em 2023 em parceria com a plataforma digital de contratação de fretes goFlux, o programa acumula mais de 14 mil toneladas de CO₂e compensadas em três anos. De acordo com a empresa, o volume corresponde ao equivalente à preservação de aproximadamente 2 milhões de árvores ou mais de 1,2 mil hectares de áreas conservadas.
Escopo 3 entra no radar da logística
O avanço de iniciativas voltadas à compensação das emissões do transporte acompanha um movimento mais amplo de incorporação das emissões indiretas às estratégias ESG das empresas, especialmente aquelas classificadas como Escopo 3, que incluem atividades realizadas por fornecedores e prestadores de serviço ao longo da cadeia produtiva.
No agronegócio, em que a movimentação de insumos representa parcela relevante das operações, a mensuração das emissões logísticas passou a ser vista não apenas como uma exigência ambiental, mas também como ferramenta de gestão e atendimento às demandas de clientes e investidores.
Segundo o gerente de Supply Chain da Agronelli, José Eduardo Oliveira, a logística deixou de ser tratada apenas sob a ótica operacional e passou a integrar a agenda ambiental das empresas. “A logística, além de uma etapa estratégica do agronegócio, representa também um componente relevante nas emissões indiretas das empresas. O Frete Verde permite que esse impacto seja mensurado e neutralizado de forma estruturada, conectando a eficiência da operação a uma agenda ambiental cada vez mais presente na relação entre fornecedores, clientes e mercado”, afirma.
Créditos de carbono financiam compensação
O modelo adotado pela empresa parte do levantamento dos dados de transporte para estimar as emissões geradas pelas operações de frete. A partir desse cálculo, são adquiridos créditos de carbono equivalentes ao volume emitido, com emissão de certificados internacionais de compensação.
Além da neutralização das emissões, a empresa afirma que a iniciativa contribui para organizar indicadores ambientais relacionados ao transporte e apoiar clientes na elaboração de metas de sustentabilidade e inventários corporativos de carbono.
“Mais do que compensar emissões, buscamos criar uma solução que ajude os clientes a incorporar a logística à sua gestão ambiental. Quando conseguimos mensurar o impacto de cada operação, criamos condições para dar mais transparência à cadeia e avançar com ações concretas de redução e compensação”, diz Oliveira.
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