A fabricante chinesa Farizon prepara o lançamento de um caminhão elétrico semileve de 3,5 toneladas entre agosto e setembro, marcando uma nova etapa de sua operação no Brasil. Após estruturar a rede de atendimento e praticamente esgotar o primeiro lote de veículos importados, a empresa acelera a expansão do portfólio para atender à crescente demanda por veículos comerciais elétricos voltados à logística urbana.
“Já estamos programando outros produtos. Devemos lançar um novo modelo agora, possivelmente em agosto ou setembro. A receptividade do mercado foi muito boa e decidimos acelerar o desenvolvimento de novos produtos para oferecer opções em um segmento onde ainda não atuamos no país”, afirmou a Rodrigo Pikussa, diretor executivo da unidade de veículos elétricos da Farizon Timber.
No Brasil, a Farizon opera por meio do Grupo Timber, empresa do Grupo Randon Rodoparaná, responsável pela importação e desenvolvimento da marca no País. A estratégia combina o portfólio de veículos comerciais elétricos da fabricante chinesa com a experiência do grupo paranaense em distribuição e pós-venda. A Farizon pertence ao Grupo Geely Holding, conglomerado que vem ampliando seus investimentos no mercado brasileiro e busca fortalecer sua presença tanto no segmento de automóveis quanto no de veículos comerciais eletrificados.
A marca foi apresentada oficialmente ao mercado brasileiro em meados do ano passado, mas dedicou os últimos meses de 2025 à estruturação da operação. O período foi utilizado para treinamento da equipe, formação de estoque de peças, homologação dos veículos e organização da rede de pós-venda. A comercialização efetiva começou apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, segundo detalhou o executivo.
Hoje, a Farizon oferece cinco modelos no país. O principal deles é a V6E, uma van elétrica com capacidade para 1.150 kg de carga, compartimento de seis metros cúbicos e autonomia aproximada de 200 quilômetros, considerada pela empresa o principal produto para operações de distribuição urbana. O portfólio também inclui duas versões da SuperVan, com autonomia entre 350 e 400 quilômetros, além de caminhões elétricos de seis e oito toneladas destinados às operações urbanas e metropolitanas.
Desde o início das vendas, a empresa importou um primeiro lote de 134 veículos. Desse total, cerca de 100 unidades já foram comercializadas e entregues aos clientes. A V6E respondeu por 90 unidades do lote inicial e praticamente esgotou os estoques nacionais.
Novos embarques da China
Para atender à demanda, a fabricante já programou novos embarques da China, incluindo mais de 50 unidades da V6E, além da chegada de novos modelos, entre eles o caminhão semileve previsto para o segundo semestre. Segundo Pikussa, a rápida aceitação dos veículos mostra que o mercado brasileiro começa a viver uma nova fase da eletrificação dos veículos comerciais.
“O que mudou é o perfil da demanda. Antes, os veículos elétricos eram procurados principalmente por grandes empresas, impulsionadas por metas de sustentabilidade. Hoje já vemos pequenas e médias empresas buscando eletrificação porque perceberam que conseguem reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência.”
Na avaliação do executivo, a sustentabilidade continua sendo importante, mas deixou de ser o único argumento para adoção dos veículos elétricos. “Quando falamos em adoção em escala, não basta apenas sustentabilidade. É preciso sustentabilidade financeira. A conta precisa fechar. Hoje, em muitas aplicações, conseguimos oferecer um custo operacional menor do que um veículo a diesel.”
Essa mudança de comportamento ampliou significativamente a base de clientes da fabricante. Além dos grandes operadores de e-commerce, a Farizon passou a atender pequenos importadores, lavanderias, transportadoras, produtores rurais, pequenos comerciantes e empresas de diferentes segmentos que identificaram ganhos econômicos na eletrificação das frotas. Para Rodrigo, o crescimento da frota de automóveis elétricos também contribui para acelerar esse movimento.
“As pessoas passaram a conhecer melhor o veículo elétrico, seja no carro próprio ou em aplicativos de transporte. Isso reduziu as barreiras e fez muitos empresários quererem levar essa experiência também para seus negócios.”
Locação é estratégia
Outra característica da estratégia comercial da Farizon é o forte uso da locação corporativa. Cerca de 60% dos veículos vendidos até agora foram comercializados para locadoras parceiras, responsáveis por atender clientes finais, especialmente operadores logísticos ligados ao comércio eletrônico.
Segundo o executivo, esse modelo permite desenvolver soluções completas para os clientes. “Hoje não vendemos apenas um veículo. Construímos um ecossistema. Discutimos a infraestrutura de recarga, o modelo financeiro, a operação e, muitas vezes, a locação faz parte dessa solução.”
A empresa também aposta no pós-venda como diferencial competitivo. Em vez de concentrar o atendimento em concessionárias, a Farizon desenvolveu uma estrutura de oficinas móveis que realiza revisões diretamente nas instalações dos clientes, reduzindo o tempo de parada dos veículos.
“A gente leva o serviço ao veículo, e não o veículo ao serviço. Para operações de distribuição urbana, isso significa manter a frota disponível praticamente o tempo todo”, afirma Pikussa.
Com o lançamento do caminhão semileve previsto para os próximos meses, novos embarques programados e a expansão da carteira de clientes, a fabricante inicia uma segunda etapa de sua operação no Brasil. A aposta é que a busca pelo menor custo total de operação deverá acelerar a eletrificação das frotas comerciais nos próximos anos.
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