A descarbonização da cadeia de fornecedores da indústria automotiva ganhou um novo capítulo no Brasil. A Schulz, metalúrgica catarinense fornecedora de componentes para os setores automotivo, agrícola e de construção, anunciou uma redução de 70% nas emissões de carbono associadas à produção de ferro fundido, movimento que acompanha as metas ambientais estabelecidas por montadoras e fabricantes globais de máquinas.
O resultado foi alcançado por meio da combinação de energia renovável, modernização do processo de fundição, maior utilização de sucata metálica e iniciativas voltadas à economia circular.
Segundo Sandro Trentin, CEO da Schulz, a iniciativa amplia a competitividade da indústria nacional em um cenário de crescente exigência por produtos de menor impacto ambiental. “Nossa solução posiciona o Brasil de forma competitiva na transição para uma indústria comprometida com a redução de emissões”, afirmou o executivo.
Pressão das montadoras
A redução das emissões ao longo da cadeia de suprimentos tornou-se prioridade para montadoras de caminhões, automóveis e fabricantes de máquinas agrícolas e de construção. Empresas globais têm ampliado a exigência de indicadores ambientais de seus fornecedores, especialmente em mercados como Europa e América do Norte.
Nesse contexto, a Schulz passou a operar sua unidade de Joinville (SC) com 100% de energia proveniente de fontes renováveis, após tornar-se sócia do Complexo Solar Janaúba, em Minas Gerais, complementando o abastecimento com energia eólica. A medida permitiu neutralizar as emissões de Escopo 2 relacionadas ao consumo de energia elétrica.
A companhia também ampliou o uso de sucata metálica, principal matéria-prima da fundição, e desenvolveu ligas especiais para aumentar o aproveitamento do material. Resíduos gerados no próprio processo de usinagem passaram a ser reutilizados na forma de briquetes metálicos, reduzindo a necessidade de matérias-primas virgens.
Outra frente envolve o reaproveitamento da areia de fundição. Parte do material é regenerada no próprio processo industrial e outra parcela destinada a aplicações na construção civil. Estudos desenvolvidos em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) buscam ampliar as possibilidades de reutilização.
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