Minas Gerais vive um dos maiores ciclos de investimentos em infraestrutura rodoviária das últimas décadas. Somados os aportes estaduais e federais previstos até 2026, a carteira de projetos ultrapassa R$ 11,8 bilhões, com foco na recuperação de estradas, pavimentação e manutenção de pontes, viadutos e passarelas.
O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) já executou ou tem em andamento cerca de R$ 7,1 bilhões em investimentos entre 2019 e 2026. A malha estadual reúne 1.731 Obras de Arte Especiais (OAEs), como pontes e viadutos, distribuídas ao longo de aproximadamente 22 mil quilômetros de rodovias pavimentadas.
Nas rodovias federais que cortam o estado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) prevê investir R$ 4,7 bilhões em 2026. A rede federal mineira concentra 452 OAEs em cerca de 4.750 quilômetros de estradas, sendo aproximadamente R$ 675 milhões destinados exclusivamente a serviços de manutenção.
Manutenção preventiva
O avanço dos investimentos e os desafios de conservação da infraestrutura foram debatidos durante o evento Infraestrutura 2027-2030: Investimentos e Desafios, realizado em Belo Horizonte pela Orguel, com apoio do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG).
Para Sérgio Guerra, CEO da Orguel, a manutenção das estruturas precisa ser tratada como uma política contínua e não apenas como resposta a situações emergenciais. “Se as intervenções não forem realizadas no tempo certo, corremos o risco de perder um patrimônio construído ao longo de décadas. Hoje existem técnicas, métodos e equipamentos capazes de tornar essas obras mais seguras, eficientes e economicamente viáveis”, afirmou.
O engenheiro Carlos Henrique Siqueira, professor e reconhecido especialista em engenharia de pontes, defendeu uma mudança de cultura na gestão das estruturas brasileiras.
“O Brasil não tem cultura de manutenção de pontes. A manutenção periódica custa muito menos do que uma intervenção emergencial, quando os problemas já se agravaram. Estados, municípios e União têm a responsabilidade de preservar essas estruturas, que representam um patrimônio público de enorme valor econômico e social”, disse Siqueira, conhecido por sua participação no projeto da Ponte Rio-Niterói.
Tecnologia reduz impacto das obras
A modernização das técnicas de inspeção e recuperação de OAEs tem permitido reduzir interdições, aumentar a segurança dos trabalhadores e acelerar a execução das obras.
Entre as tecnologias empregadas no setor estão plataformas de acesso suspenso que permitem a realização de intervenções sob pontes e viadutos sem necessidade de estruturas de apoio no solo. O sistema já foi utilizado em projetos como a Ponte da Integração Brasil-Paraguai, a Terceira Ponte, no Espírito Santo, e a recuperação da Ponte Hercílio Luz, em Santa Catarina.
Segundo Guerra, a adoção de novas soluções é parte da busca por maior produtividade nas obras de infraestrutura. “O desafio da infraestrutura exige soluções que aliem segurança, produtividade e menor impacto para a população”, afirmou.
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