O Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, chegou ao meio de 2026 em um ambiente de maior complexidade, marcado por mudanças regulatórias, pressão de custos e escassez de mão de obra.
Entre os principais ajustes recentes estão novas exigências ligadas ao CIOT, mudanças no MDF-e e o avanço da fiscalização eletrônica, que vêm exigindo investimentos em tecnologia e revisão de processos pelas transportadoras, segundo a Fetcesp.
“O desafio deixou de ser apenas operacional. As empresas precisam lidar com um ambiente regulatório mais dinâmico e manter capacidade de adaptação rápida”, afirma Carlos Panzan, presidente da entidade.
No lado dos custos, o diesel segue como principal pressão, chegando a representar até 50% do frete — e mais em algumas operações — em um cenário em que a NTC&Logística aponta defasagem média de 10,1% no valor do frete no início do ano.
Para a Fetcesp, o segundo semestre tende a ser guiado menos por mudanças pontuais e mais por temas estruturais, como a discussão sobre jornada de trabalho. Estudo da CNT estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas poderia elevar em 8,66% os custos trabalhistas e exigir cerca de 240 mil contratações no setor.
O TRC já convive com déficit estimado em mais de 100 mil motoristas, o que amplia a preocupação com capacidade operacional. “É uma discussão que precisa equilibrar custo, produtividade e capacidade de atendimento”, diz Panzan.
Além disso, o setor acompanha o cenário político e a implementação da Reforma Tributária, fatores que tendem a influenciar planejamento e investimentos.
A Fetcesp avalia que previsibilidade regulatória será decisiva para a competitividade no segundo semestre. A entidade também destaca o Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas como termômetro das expectativas do setor.
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