Fiscalização digital expõe falhas no transporte de cargas

Avanço do cruzamento de dados da ANTT aumenta pressão por compliance, rastreabilidade e revisão das coberturas de seguro

Redação

A ampliação da fiscalização digital no transporte rodoviário de cargas está elevando o nível de exposição de transportadoras, embarcadores e caminhoneiros autônomos. Com o fortalecimento das regras do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), a fiscalização do piso mínimo do frete e o uso crescente de cruzamento eletrônico de dados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), irregularidades operacionais tendem a ser identificadas com mais rapidez e precisão.

Na prática, especialistas avaliam que o setor está migrando de um modelo baseado principalmente em fiscalizações presenciais para um ambiente de monitoramento contínuo, sustentado por registros digitais, documentos eletrônicos e sistemas integrados.

A digitalização dos processos logísticos avança em toda a cadeia de transporte. Informações relacionadas à contratação do frete, pagamentos, emissão de documentos e execução da operação passam a ser analisadas de forma cada vez mais automatizada, ampliando a capacidade de fiscalização dos órgãos reguladores.

Risco vai além das multas

Para João Paulo Barbosa, CEO da Mundo Seguro e especialista em gestão de riscos para transporte de cargas, a principal mudança é que as empresas passam a ser avaliadas não apenas pela regularidade documental, mas também pela consistência de seus processos operacionais.

“Estamos caminhando para um cenário em que a qualidade das informações da operação terá peso cada vez maior na avaliação dos riscos. Quanto maior a transparência e a rastreabilidade, mais clara se torna a diferença entre empresas que possuem processos estruturados e aquelas que ainda operam de forma vulnerável”, afirma.

Segundo o executivo, muitas empresas continuam tratando o seguro apenas como uma exigência contratual, sem revisar periodicamente se a cobertura acompanha a realidade da operação. O problema, segundo ele, costuma aparecer apenas quando ocorre um sinistro. Alterações de rotas, crescimento da frota, mudanças no perfil das cargas transportadas e ampliação das áreas de atuação podem gerar lacunas entre os riscos efetivos da operação e a proteção contratada.

Compliance ganha importância

A tendência é que o aumento da rastreabilidade favoreça empresas com processos mais estruturados. Além de reduzir riscos regulatórios, a organização das informações operacionais pode trazer ganhos em auditorias, negociações contratuais e gestão de seguros.

Nesse contexto, especialistas recomendam a revisão periódica das apólices, o fortalecimento dos controles documentais, o monitoramento dos riscos específicos de cada tipo de carga e a adoção de práticas mais robustas de compliance.

“A fiscalização está ficando mais rigorosa. As operações precisam acompanhar essa mudança. E isso passa necessariamente por uma gestão de risco profissional e por uma proteção alinhada à realidade de cada negócio”, afirma Barbosa.

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