O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, afirmou que a escassez de motoristas profissionais é um desafio estrutural em escala global e defendeu o fortalecimento de políticas de qualificação e um marco regulatório equilibrado para as novas formas de trabalho em plataformas digitais.
A declaração foi feita durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça, onde o executivo representou a bancada dos empregadores brasileiros na sessão plenária do evento.
Em seu discurso, Vander Costa destacou o papel estratégico do transporte na economia mundial. “O transporte é uma força vital da economia mundial. É ele que conecta mercados, viabiliza investimentos, integra cadeias produtivas, reduz distâncias e transforma a globalização em realidade concreta. Nenhum país cresce sem logística. Nenhuma economia se desenvolve sem mobilidade”, afirmou.
Segundo ele, a falta de profissionais qualificados no setor já atinge escala global. Dados da União Internacional do Transporte Rodoviário (IRU) apontam déficit superior a 3,5 milhões de motoristas no mundo, com impactos diretos sobre produtividade, competitividade e segurança das cadeias de abastecimento.
Diante desse cenário, o dirigente defendeu medidas para aumentar a atratividade da profissão, ampliar a formação de trabalhadores e preparar o setor para mudanças tecnológicas em curso.
Experiência brasileira com qualificação
Vander Costa apresentou a experiência do Sistema S como referência em formação profissional no Brasil, com destaque para a atuação do SEST SENAT.
Segundo ele, a entidade conta com mais de 170 unidades no país e oferece capacitação profissional, serviços de saúde e atendimento social a trabalhadores do setor de transporte e às comunidades atendidas.
O presidente da CNT afirmou que o modelo representa um investimento direto das empresas na qualificação da mão de obra e na melhoria da produtividade. Ele também destacou indicadores do setor no Brasil, como taxa de formalização próxima de 92% e taxa de desocupação de 5,8%.
“Esses dados demonstram que crescimento econômico, proteção social, produtividade e geração de empregos de qualidade não são agendas opostas. Ao contrário, são objetivos complementares quando há diálogo social, responsabilidade empresarial e segurança jurídica”, disse.
Debate sobre plataformas digitais
O dirigente também abordou os impactos das plataformas digitais nas relações de trabalho. Segundo ele, as transformações em curso exigem soluções regulatórias equilibradas, que garantam proteção aos trabalhadores sem comprometer modelos econômicos legítimos.
Vander Costa defendeu que as diretrizes em discussão na OIT preservem a concorrência justa, a segurança jurídica e o estímulo à inovação, evitando distorções que possam ampliar a informalidade ou criar assimetrias entre agentes econômicos.
A 114ª Conferência Internacional do Trabalho reúne representantes de 187 países e segue até 12 de junho, com debates sobre plataformas digitais, diálogo social e igualdade de gênero.
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