Com apenas 0,4% das vendas, caminhões elétricos ainda não decolam no Brasil

JAC, Sany e Foton concentram cerca de 90% das vendas que somaram apenas 151 unidades até maio, segundo dados da Fenabrave

Aline Feltrin

O mercado brasileiro de caminhões eletrificados segue em estágio inicial de desenvolvimento. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que foram emplacadas 151 unidades entre janeiro e maio de 2026, praticamente o mesmo volume registrado no mesmo período do ano passado, quando foram licenciados 150 veículos.

Em maio, o segmento registrou 28 emplacamentos, retração de 31,7% em relação a abril, quando haviam sido comercializadas 41 unidades. Todos os veículos vendidos no mês foram elétricos puros. Os híbridos somam apenas uma unidade no acumulado do ano.

Apesar do volume ainda reduzido, os números revelam uma característica marcante do setor: o domínio das fabricantes chinesas.

A JAC lidera com ampla vantagem o mercado brasileiro de caminhões elétricos. A montadora acumula 94 unidades emplacadas até maio, o equivalente a 62,7% de participação. Na sequência aparecem a Sany, com 21 veículos e fatia de 14%, e a Foton, com 20 unidades e participação de 13,3%.

Juntas, as três fabricantes chinesas respondem por cerca de 90% dos emplacamentos de caminhões elétricos registrados no país em 2026. O ranking é completado por Volkswagen Caminhões e Ônibus, com sete unidades do e-Delivery, Nanjing e Tesla, com três veículos cada, e Mercedes-Benz, com duas unidades. Apesar de figurarem entre os emplacamentos registrados no Brasil, Tesla e Mercedes-Benz ainda não comercializam seus caminhões elétricos no país — no caso da montadora alemã, os modelos seguem em fase de testes com clientes. Já a Nanjing não possui operação relevante no mercado brasileiro de caminhões, concentrando a maior parte de suas vendas na China.

No resultado isolado de maio, a liderança também ficou com a JAC, responsável por 12 dos 28 caminhões elétricos vendidos no mês. A Sany aparece em segundo lugar, com nove unidades, seguida pela Foton, com cinco.

Brasil ainda está longe dos líderes globais

Embora as fabricantes chinesas liderem a oferta de veículos eletrificados no Brasil, a participação da tecnologia no mercado nacional ainda é bastante limitada. Estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) mostra que os caminhões elétricos representaram apenas 0,4% das vendas totais de caminhões no Brasil em 2025.

O percentual está muito abaixo da média mundial, que alcançou 9%, e distante da China, onde os elétricos já representam 26% das vendas. Na União Europeia, a participação chegou a 4%. Segundo o Ilos, a eletrificação tende a avançar primeiro em operações urbanas e regionais, caracterizadas por rotas previsíveis, menor quilometragem diária e possibilidade de recarga nas bases operacionais.

Já a adoção em operações rodoviárias de longa distância depende de avanços na autonomia das baterias, expansão da infraestrutura de recarga e redução do custo total de propriedade dos veículos. Para especialistas do ILOS, a liderança chinesa no mercado brasileiro reflete o estágio mais avançado de desenvolvimento da eletromobilidade naquele país, que se consolidou como principal polo mundial de produção e adoção de veículos comerciais elétricos.

Embora os números ainda sejam modestos, a pressão por descarbonização das cadeias logísticas, associada à ampliação da oferta de modelos e à expansão da infraestrutura, deve sustentar o crescimento gradual da eletrificação do transporte de cargas nos próximos anos.

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