As vendas de carrocerias sobre chassi seguem sustentando a indústria brasileira de implementos rodoviários em 2026. Em maio, o segmento registrou 6.662 unidades emplacadas, superando tanto abril, quando foram comercializados 6.232 equipamentos, quanto maio do ano passado, com 6.578 unidades. O desempenho positivo contrasta com a retração observada no mercado de reboques e semirreboques, mais dependente das condições de financiamento para veículos pesados.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), o aquecimento das operações urbanas de distribuição continua impulsionando a demanda por equipamentos do segmento leve.
“Estamos diante de uma curva positiva muito consistente e mostra que as operações logísticas urbanas seguem aquecidas e demandando novos equipamentos”, afirma José Carlos Spricigo, presidente da ANFIR.
Pesados pressionados
Enquanto o segmento leve avança, os implementos destinados ao transporte pesado continuam enfrentando dificuldades. Em maio, as vendas de reboques e semirreboques somaram 5.148 unidades, abaixo das 5.535 registradas em abril e das 5.912 comercializadas no mesmo mês de 2025.
Para a entidade, o desempenho reflete a combinação entre custos de financiamento elevados, cautela dos transportadores e fatores sazonais que afetam as decisões de renovação de frota. “As dificuldades no mercado de pesados são maiores porque as vendas dependem de condições de financiamento mais robustas além de serem influenciadas por fatores sazonais”, afirma Spricigo.
Mercado retraído
Apesar da recuperação observada em parte do segmento leve, o desempenho geral da indústria continua negativo em 2026. Entre janeiro e maio, os fabricantes comercializaram 54.418 implementos rodoviários, contra 60.492 unidades no mesmo período do ano passado, o que representa retração de 10,04%.
O segmento de reboques e semirreboques apresentou a maior queda, de 12,82%, com 26.415 unidades vendidas nos cinco primeiros meses do ano, ante 30.301 equipamentos em igual período de 2025. Já as carrocerias sobre chassi registraram retração menor, de 7,25%, somando 28.003 unidades comercializadas no acumulado do ano.
Move Brasil
A ANFIR avalia que a segunda fase do programa Move Brasil poderá ajudar a estimular a demanda, especialmente no segmento de implementos pesados. A linha de crédito oferece juros de 11,3% ao ano, prazo de até 60 meses para empresas e até 120 meses para transportadores autônomos, dentro de um orçamento total de R$ 21,2 bilhões.
“A inclusão de nossa indústria na segunda fase do projeto é resultado do reconhecimento da importância do implemento rodoviário no vetor de transporte de cargas do País”, afirma Spricigo. “O suporte é muito bem-vindo, mas é importante que outras medidas sejam tomadas de maneira a criar um ambiente de crescimento sustentável, favorecendo a produção e o desenvolvimento do Brasil.”
Para a indústria, a evolução das vendas nos próximos meses dependerá da capacidade do programa de destravar investimentos e estimular a renovação da frota de transporte de cargas, especialmente no segmento de veículos pesados, que continua apresentando o maior nível de retração em 2026.
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