BBM transforma frota elétrica em laboratório logístico

Operadora testa veículos da Farizon em rotas reais para avaliar custos, autonomia e viabilidade da eletrificação

Redação

A eletrificação do transporte de cargas ainda está longe de ser uma realidade consolidada no Brasil, mas a BBM Logística decidiu acelerar esse processo utilizando suas próprias operações como campo de testes. Em parceria com a Farizon, fabricante de veículos comerciais elétricos do grupo chinês Geely, a empresa vem avaliando o desempenho de diferentes modelos em rotas urbanas, operações de última milha e até aplicações rodoviárias.

A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para ampliar projetos de descarbonização e estruturar a BBM Sustentabilidade, unidade criada para concentrar ações voltadas à redução de emissões e à eficiência operacional.

Mais do que adquirir veículos elétricos, a proposta é validar, em condições reais de operação, fatores como autonomia, tempo de recarga, comportamento dos motoristas, custos operacionais e viabilidade econômica da tecnologia.

“Hoje, eletrificar a logística no Brasil ainda exige engenharia operacional, adaptação de rota e parceria entre operador, cliente e fabricante. Não é uma solução plug and play”, afirma Luís Felipe Günther Bastos, diretor corporativo de operações da BBM Logística.

Testes em operações reais

Atualmente, a BBM opera oito veículos elétricos, entre vans, caminhões leves e triciclos utilizados principalmente em atividades ligadas ao comércio eletrônico e à distribuição urbana. Entre os modelos em operação está a van elétrica Farizon V6E, utilizada em Curitiba e Região Metropolitana em rotas de última milha. A empresa também avalia a incorporação de novos modelos, incluindo a SuperVan e o caminhão leve H9E.

A fase mais avançada dos testes envolve um cavalo mecânico elétrico destinado ao transporte rodoviário, considerado um dos segmentos mais desafiadores para a eletrificação devido às longas distâncias, ao peso transportado e à necessidade de infraestrutura de recarga.

“O que estamos construindo com a Farizon é justamente um ambiente de aprendizado operacional para entender quais aplicações fazem sentido no cenário brasileiro”, afirma Bastos.

Pressão por descarbonização

O movimento acompanha a crescente pressão de grandes embarcadores por operações logísticas com menor emissão de carbono. Empresas globais de comércio eletrônico, varejo e indústria têm incorporado metas ambientais às suas cadeias de suprimentos e passado a exigir indicadores de sustentabilidade de seus operadores logísticos.

Entre os clientes da BBM está a Amazon, uma das signatárias do The Climate Pledge, iniciativa internacional que reúne mais de 650 empresas comprometidas com metas de neutralização de carbono até 2040. Além dos testes com veículos elétricos, a operadora criou recentemente um comitê interno dedicado à descarbonização e aderiu formalmente ao programa.

Desafio vai além do veículo

Segundo Rodrigo Pikussa, diretor executivo da unidade de veículos elétricos da Farizon no Brasil, a eletrificação do transporte comercial precisa ser validada em operações reais antes de ganhar escala. “A eletrificação da logística brasileira não será construída apenas no discurso, mas em operações reais que permitam medir eficiência, autonomia, recarga, disponibilidade e custo operacional”, afirma o executivo.

Os testes também buscam avaliar um dos principais obstáculos à expansão da tecnologia no país: a relação entre o elevado investimento inicial dos veículos e os ganhos operacionais ao longo do tempo. De acordo com a Farizon, veículos elétricos possuem menos componentes sujeitos a desgaste mecânico e apresentam custos reduzidos de manutenção. Em operações urbanas, a economia com energia pode chegar a até 80% em comparação com modelos movidos a combustíveis fósseis.

Próxima fronteira

Para a BBM, a eletrificação já demonstra viabilidade em operações urbanas e de última milha. O próximo desafio será ampliar a aplicação da tecnologia em rotas mais complexas e de maior distância. “Hoje o last mile já é uma realidade viável para veículos elétricos. O grande desafio é escalar isso para operações mais complexas e de longa distância”, afirma Bastos.

A expectativa da companhia é utilizar os resultados obtidos nos testes para orientar futuras expansões da frota elétrica em projetos voltados principalmente ao comércio eletrônico, distribuição urbana e operações customizadas para grandes embarcadores.

“Estamos no início dessa jornada. O mais importante agora é construir conhecimento operacional real e entender quais caminhos tornam a eletrificação sustentável dentro da realidade brasileira”, conclui o executivo.

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