Os projetos de revitalização das hidrovias dos rios São Francisco e Parnaíba podem adicionar até 10 milhões de toneladas anuais à matriz logística brasileira e ampliar as alternativas de transporte para o agronegócio e a indústria no Nordeste.
As iniciativas, conduzidas pelo Ministério de Portos e Aeroportos, buscam recuperar a navegabilidade dos dois corredores fluviais e integrá-los às malhas ferroviária, rodoviária e portuária da região, reduzindo a dependência do transporte rodoviário para o escoamento de cargas.
No caso do Rio São Francisco, o projeto prevê a retomada da navegação comercial em 1.371 quilômetros entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE). A expectativa é que a chamada Nova Hidrovia do São Francisco movimente até 5 milhões de toneladas já no primeiro ano de operação.
O corredor deverá atender principalmente cargas como grãos, fertilizantes, minérios, calcário, gesso, bebidas e sal. A proposta inclui a integração da hidrovia à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e ao Porto de Aratu, na Bahia.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, os estudos de modelagem econômica estão em andamento com participação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e da Marinha do Brasil.
“A Nova Hidrovia do São Francisco representa avanço para a logística nacional, promovendo um transporte mais limpo, eficiente e competitivo, além de ampliar a movimentação de cargas entre os estados nordestinos”, afirma Otto Luiz Burlier, secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos.
Corredor para o MATOPIBA
Já a Hidrovia do Parnaíba é apontada como uma alternativa logística para o escoamento da produção do MATOPIBA, região que reúne áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Com 1.344 quilômetros de extensão, o sistema formado pelos rios Parnaíba e Balsas atravessa 54 municípios e deverá operar integrado ao Porto Piauí.
A expectativa é que a hidrovia alcance movimentação entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas de grãos por ano após sua plena operação. As embarcações previstas nos estudos poderão transportar até 2,1 mil toneladas por viagem, volume equivalente a aproximadamente 50 caminhões bitrem.
A retomada da navegação ganhou impulso após a transferência da gestão da hidrovia ao governo do Piauí em 2025, medida considerada inédita no país. A operação ficará sob responsabilidade da Companhia Porto Piauí.
Diversificação da matriz
Os projetos fazem parte da estratégia federal de ampliar a participação do transporte hidroviário na matriz logística brasileira, ainda fortemente dependente das rodovias.
Além da redução dos custos logísticos, o governo aposta em ganhos ambientais e operacionais. Segundo estimativas do Ministério de Portos e Aeroportos, um único comboio hidroviário pode substituir até 163 caminhões em circulação nas rodovias. “Essas ações permitem que a navegação ocorra de forma contínua, fortalecendo rotas estratégicas para o transporte de mercadorias e ampliando a segurança de quem utiliza as hidrovias”, afirma Burlier.
Caso os cronogramas previstos sejam cumpridos, os dois projetos poderão criar novos corredores de transporte para o agronegócio nordestino e ampliar a integração logística entre áreas produtoras, ferrovias, portos e mercados consumidores.
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