Óleo de caminhões vira desafio bilionário fora das pistas

Etapa da Copa Truck em Interlagos expõe impacto ambiental e econômico do descarte irregular de lubrificantes no transporte

Redação

A etapa da Copa Truck em Interlagos, marcada para o fim de semana de 31 de maio, vai além da disputa nas pistas. A operação da categoria tornou-se uma vitrine de um problema crescente no transporte rodoviário brasileiro: o destino do óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC), resíduo com alto potencial de impacto ambiental e relevância econômica para a cadeia logística.

Em um país onde mais de 60% das cargas circulam por rodovias, o volume de óleo gerado por caminhões, ônibus e veículos pesados transformou a gestão desse resíduo em um desafio operacional e ambiental de escala nacional.

Durante a etapa paulista, a coleta e o rerrefino do óleo utilizado pelos caminhões da competição serão realizados pela Lwart Soluções Ambientais, empresa especializada em logística reversa e reaproveitamento de lubrificantes. O material recolhido nas equipes retorna à cadeia produtiva como óleo básico rerrefinado, utilizado novamente pela indústria de lubrificantes.

A dinâmica das corridas acaba reproduzindo, em escala reduzida, uma realidade enfrentada diariamente pelo transporte rodoviário brasileiro. “A etapa de Interlagos traduz um desafio nacional. O mesmo óleo que sai dos caminhões de corrida está presente na operação diária do transporte de cargas no Brasil e precisa ter o destino correto”, afirma João Vianney, diretor de coleta da Lwart Soluções Ambientais.

O descarte irregular de óleo lubrificante continua sendo um dos principais riscos ambientais ligados ao transporte pesado. Segundo dados do setor, um único litro descartado incorretamente pode contaminar até um milhão de litros de água, aumentando a pressão sobre fiscalização, logística reversa e controle ambiental das operações.

Ao mesmo tempo, o rerrefino vem ganhando espaço dentro da agenda ESG do setor automotivo e de transportes por reduzir a necessidade de petróleo virgem e ampliar a circularidade da cadeia de lubrificantes.

Pressão ambiental cresce no transporte

A gestão de resíduos perigosos passou a ocupar espaço mais estratégico nas operações logísticas, especialmente diante do avanço das exigências ambientais de embarcadores, seguradoras e grandes frotistas.

Na Copa Truck, a Lwart será responsável pela coleta, armazenamento e rastreabilidade do resíduo gerado pelas equipes, seguindo a legislação brasileira que estabelece o rerrefino como destinação obrigatória para o OLUC.

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