O desafio pela redução de custos e pelo aumento da disponibilidade das frotas tem acelerado a adoção de tecnologias de automação no transporte florestal, um dos segmentos mais severos da logística rodoviária brasileira. A Cummins Brasil concluiu os testes de campo do Meritor CalibrAR, sistema automático de controle de pressão de pneus desenvolvido para carretas, após oito meses de operação na frota da Bracell, produtora de celulose solúvel e celulose, com operações florestais e industriais concentradas principalmente na Bahia e em São Paulo.
A validação foi realizada em composições de três carretas utilizadas no transporte de madeira, em rotas que combinam rodovias e estradas rurais de baixa qualidade. Segundo a empresa, os resultados mostraram redução de paradas não programadas, menor necessidade de intervenções nos pneus e melhora na estabilidade operacional dos veículos.
O controle da pressão dos pneus é um dos principais desafios das operações florestais. Além do desgaste acelerado dos componentes, falhas no conjunto rodante costumam elevar o consumo de combustível, aumentar o risco de acidentes e comprometer a produtividade das operações.
A tecnologia testada pela Cummins atua justamente nesse ponto. O sistema monitora continuamente a pressão dos pneus e realiza a reposição automática de ar durante a operação, utilizando a própria rede pneumática do veículo. Caso ocorra perda gradual de pressão, o conjunto consegue continuar rodando até um ponto seguro de manutenção.
Segundo a companhia, o sistema pode gerar economia de até 1,5% no consumo de combustível e ampliar em até 10% a vida útil dos pneus, um dos itens de maior peso no custo operacional do transporte pesado.
A Bracell, que participou do projeto-piloto, afirma que a automação da calibragem também reduz a dependência de inspeções manuais em operações de alta severidade.
“A manutenção automática da pressão adequada reduz falhas e a necessidade de paradas não planejadas, além de melhorar a estabilidade do veículo em condições severas”, diz Victor Wildemberg Fiedler, gerente de Desenvolvimento Operacional da Bracell.
A tecnologia começou a ser comercializada no Brasil em 2025 após um processo de tropicalização para adaptação às condições locais de operação. Atualmente, três conjuntos da Bracell utilizam o sistema em operação contínua.
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