O Moveinfra, movimento formado por empresas como EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo, iniciou um estudo técnico para mapear gargalos e oportunidades de investimentos no setor hidroviário brasileiro. O levantamento deve servir de base para futuros projetos de concessão e para uma agenda de longo prazo voltada à navegação interior.
O estudo analisará sete dos principais corredores hidroviários do País: Hidrovia Verde, Madeira, Tapajós, Tocantins-Araguaia, Paraguai, Tietê-Paraná e Lagoa-Mirim. A proposta é avaliar aspectos operacionais, econômicos, regulatórios e socioambientais que hoje limitam a expansão do modal.
Entraves históricos
O avanço da navegação acontece simultaneamente ao crescimento da movimentação de cargas no setor aquaviário. Dados da Agencia Nacional de Transportes Aquaviárias – Antaq mostram que a navegação interior movimentou 91,3 milhões de toneladas em 2025, alta de quase 20% sobre o ano anterior. Para 2026, a expectativa é de novo crescimento da movimentação hidroviária, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pela busca de alternativas logísticas mais baratas e sustentáveis.
Apesar do avanço, o setor esbarra em problemas estruturais que limitam o potencial das hidrovias brasileiras. Entre os principais entraves estão a baixa previsibilidade regulatória, demora em licenciamentos ambientais, judicialização de projetos, conflitos socioambientais e ausência de investimentos contínuos em dragagem e sinalização.
A estiagem severa registrada nos rios amazônicos em 2023 e 2024 também expôs a fragilidade operacional do sistema hidroviário brasileiro. Em corredores estratégicos como Madeira e Tapajós, a redução do nível dos rios afetou o transporte de grãos e combustíveis, elevando custos logísticos e provocando atrasos no escoamento da safra.
Outro desafio é a falta de integração entre órgãos públicos responsáveis por gestão hídrica, licenciamento ambiental, energia e navegação. Operadores do setor também criticam a lentidão na estruturação de concessões hidroviárias e a ausência de uma política nacional permanente para o modal.
Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, explica que o objetivo do estudo é justamente consolidar diretrizes técnicas capazes de apoiar futuras políticas públicas e projetos de infraestrutura. “Vamos mostrar como as hidrovias podem transformar a lógica do transporte de cargas no Brasil, com ganhos efetivos de competitividade e redução de custos. Integradas a outros modais, as hidrovias são o caminho mais sustentável para a tão desejada transição energética”, afirmou.
Potencial subutilizado
O Brasil possui cerca de 42 mil quilômetros de vias navegáveis, mas menos da metade é utilizada economicamente para transporte de cargas e passageiros. Estudos da ANTAQ apontam que um único comboio hidroviário pode substituir até 2 mil caminhões, com menor consumo energético e menor emissão de CO₂.
A agenda proposta pelo MoveInfra terá horizonte entre 10 e 30 anos e pretende criar referências permanentes para investimentos em infraestrutura hidroviária, independentemente de mudanças de governo. O trabalho será conduzido pela consultoria Garín Partners e deve ser concluído em agosto de 2026.
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