O Porto de Santos começou 2026 no maior ritmo operacional de sua história. No primeiro trimestre, o complexo movimentou 42,8 milhões de toneladas — volume superior a toda a carga registrada ao longo de 1999.
Os números refletem o avanço das exportações do agronegócio, da movimentação de combustíveis e da carga conteinerizada, mas também ampliam a pressão sobre a infraestrutura logística da Baixada Santista, sobretudo nos acessos rodoviários e ferroviários.
Somente em março, foram movimentadas 16,9 milhões de toneladas, o melhor resultado já registrado para o mês e a segunda maior marca mensal da história do porto, segundo dados da Autoridade Portuária de Santos (APS).
Contêineres: pressão operacional
A movimentação de contêineres alcançou 485 mil TEUs em março, alta de 5,4% na comparação anual. No trimestre, o volume chegou a 1,4 milhão de TEUs. O crescimento mantém Santos como principal porta de entrada e saída de cargas industrializadas do país, concentrando operações ligadas à indústria, agronegócio, comércio exterior e distribuição para o mercado interno.
Ao mesmo tempo, operadores logísticos e transportadores seguem apontando limitações nos acessos ao porto, especialmente em períodos de pico de safra, quando filas, lentidão operacional e restrições viárias afetam custos e produtividade.
Combustíveis e agro puxam demanda
Os granéis líquidos somaram 5 milhões de toneladas no trimestre, avanço de 11,6% frente ao mesmo período de 2025. O crescimento foi puxado pelos embarques de gasolina, diesel e óleo combustível.
Nos granéis sólidos, açúcar e farelo de soja lideraram o avanço das exportações agrícolas. O segmento movimentou 20,5 milhões de toneladas entre janeiro e março.
O desempenho reforça a dependência crescente das cadeias do agronegócio e de energia da estrutura portuária santista — justamente em um momento em que o setor debate ampliação de capacidade, novos terminais e maior integração ferroviária.
China na liderança
A China respondeu por cerca de 30,7% da corrente comercial movimentada pelo porto no trimestre, com US$ 12,98 bilhões em operações. Os Estados Unidos aparecem na sequência.
Segundo Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos, os resultados demonstram a necessidade de continuidade dos investimentos em expansão e modernização da infraestrutura.
Para operadores do setor, o desafio agora é evitar que o crescimento da demanda avance em velocidade maior que a capacidade operacional dos acessos terrestres e retroáreas — um risco que já começa a preocupar parte da cadeia logística.
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