Amazônia testa “armazéns flutuantes” para destravar logística no Norte

Balsas da Combitrans ampliam capacidade de carga entre Belém e Manaus e reduzem dependência rodoviária

Redação

A logística da Região Norte começa a apostar em embarcações de maior capacidade e integração multimodal para enfrentar gargalos históricos de abastecimento, sazonalidade dos rios e custos operacionais elevados. Nesse cenário, a Combitrans vem ampliando o uso de balsas do tipo SW (“Swimming Warehouse”), modelo que funciona como um armazém flutuante no corredor entre Belém (PA) e Manaus (AM).

A operação atende principalmente cadeias ligadas ao Polo Industrial de Manaus e ao agronegócio, incluindo transporte de insumos, sementes e cargas industriais destinadas à região amazônica.

Segundo a empresa, o modelo permite transportar até 126% mais carga em comparação a operações convencionais e reduz a necessidade de manter implementos rodoviários parados durante as travessias fluviais.

Norte busca alternativas

A dependência da navegação fluvial na Amazônia faz da previsibilidade operacional um dos principais desafios logísticos da região, sobretudo em períodos de estiagem severa ou oscilação do nível dos rios. Nos últimos anos, operadores passaram a buscar soluções capazes de ampliar capacidade, reduzir tempo de ciclo e diminuir impactos operacionais sobre cadeias industriais e agrícolas.

No caso das balsas SW, a proposta é desacoplar parte da operação rodoviária da navegação fluvial. Em vez de embarcar a carreta completa, a carga é transferida para a embarcação, permitindo que o implemento volte mais rapidamente à operação terrestre. A estratégia reduz tempo de imobilização de equipamentos e aumenta a rotatividade das frotas rodoviárias.

Escala e previsibilidade

A Combitrans também prepara uma nova geração das embarcações, com mudanças estruturais voltadas à eficiência da navegação e adaptação às condições operacionais da Amazônia. Entre as mudanças previstas estão sistemas próprios de propulsão, substituindo parte da dependência de barcos empurradores, além de um novo desenho de casco para melhorar estabilidade e desempenho em períodos de variação do nível dos rios.

“A nova geração das SW é um passo importante na estratégia de evolução operacional no corredor Belém-Manaus”, afirma Dener Ricardo Guerra, CEO da Combitrans. Segundo ele, o foco é ampliar previsibilidade logística para operações industriais e agrícolas que dependem da região Norte.

Além da eficiência operacional, operadores logísticos vêm sofrendo pressão crescente por redução de emissões e maior controle ambiental nas operações amazônicas. Em resposta, a Combitrans afirma que as balsas podem reduzir em até 50% as emissões de carbono em determinadas rotas e mantém programas de mensuração de emissões e compensação de CO₂ para clientes. A empresa também realiza ações de limpeza próximas às operações portuárias em Belém e Manaus, com recolhimento semanal de resíduos nos rios da região.

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