Rota estratégica para o agro: ANTT aprova concessão da Malha Oeste com aporte de R$ 3,6 bi

A proposta prevê recuperar 1.625 quilômetros de ferrovia entre Mairinque, em São Paulo, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul

Redação

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou os estudos técnicos, documentos jurídicos e o Plano de Outorga da concessão da Malha Oeste ferroviária, em um projeto que promete recolocar no mapa um dos principais corredores logísticos do Centro-Oeste brasileiro. A proposta prevê investimentos federais de até R$ 3,6 bilhões para recuperar 1.625 quilômetros de ferrovia entre Mairinque, em São Paulo, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul.

O projeto agora será encaminhado ao Ministério dos Transportes e, na sequência, ao Tribunal de Contas da União (TCU), antes do leilão da concessão.

A Malha Oeste é considerada estratégica por conectar regiões produtoras do Centro-Oeste ao Porto de Santos e criar uma rota de integração logística com Bolívia e Paraguai. A expectativa é que a recuperação da ferrovia aumente a competitividade do agronegócio, reduza custos de transporte e alivie a dependência do modal rodoviário em corredores de carga pesada.

A modelagem aprovada pela ANTT prevê desembolsos anuais de até R$ 500 milhões para garantir previsibilidade fiscal e continuidade das obras ao longo do contrato. Os aportes federais serão destinados à concessionária apenas se houver modernização e operação do trecho entre Corumbá e Mairinque ou Bauru. Caso o interesse fique restrito ao trecho entre Corumbá e Três Lagoas, não haverá participação financeira da União.

Outro ponto que chamou atenção do mercado foi a possibilidade de inclusão do ramal de Ponta Porã na futura concessão, por conta e risco do vencedor do leilão.

Além da recuperação operacional da ferrovia, o projeto incorpora metas regulatórias ligadas ao desempenho da malha, capacidade operacional, resiliência climática e gestão socioambiental, temas que vêm ganhando peso nos novos contratos de infraestrutura no país.

Nos bastidores do setor, a avaliação é que a retomada da Malha Oeste pode reacender a disputa entre operadores ferroviários e grupos interessados em ampliar presença logística no Brasil, especialmente em um momento de pressão por eficiência, redução de emissões e crescimento do agronegócio.

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