Alta do diesel afeta abastecimento em postos no Brasil

Pesquisa mostra restrições na reposição de combustíveis e avanço do etanol nas bombas

Redação

O preço médio do litro do diesel comum fechou maio a R$ 5,99 e o S-10 a R$ 6,09, ambos com redução de 0,33% na comparação com a primeira quinzena do mês

A escalada recente do preço do diesel, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, começou a provocar impactos na operação dos postos de combustíveis no Brasil. Levantamento da Edenred Mobilidade aponta que 70% das redes consultadas relataram algum tipo de dificuldade temporária na compra ou entrega de combustíveis nas últimas semanas.

A pesquisa ouviu representantes de 37 redes, que somam 585 postos em diferentes regiões do país. Segundo o estudo, além da alta nos preços, cresce a dificuldade para manter previsibilidade na reposição dos estoques, principalmente de diesel.

Os dados ajudam a dimensionar os efeitos da volatilidade internacional sobre a cadeia de abastecimento brasileira. Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o diesel comum acumulou alta de 21,75% entre o fim de fevereiro e o fim de março, saltando de R$ 6,25 para R$ 7,61 por litro. O diesel S-10 avançou 23,76%, passando de R$ 6,23 para R$ 7,71.

No mesmo período, a gasolina subiu 7,45%, enquanto o etanol registrou alta mais moderada, de 2,73%.

Vulnerabilidade ampliada

O cenário é mais sensível no diesel porque o Brasil ainda depende de importações para suprir parte relevante da demanda interna. Atualmente, cerca de 25% do diesel consumido no país vem do exterior, tornando o mercado mais exposto às oscilações do petróleo, do câmbio, do frete marítimo e das tensões internacionais.

Segundo Vinicios Fernandes, diretor de Rede, Operações e Transformação de Negócios da Edenred Mobilidade, o impacto já começa a alterar a dinâmica operacional dos postos. “Não estamos falando de um cenário de desabastecimento, mas de restrições pontuais, atrasos e limitações na reposição dos estoques, o que exige maior capacidade de adaptação de postos, empresas e do próprio consumidor”, afirma.

De acordo com a pesquisa, garantir disponibilidade de combustível tornou-se o principal desafio operacional para 70% dos entrevistados. Outros 19% apontaram dificuldades ligadas ao fluxo de caixa para recomposição dos estoques, enquanto 11% citaram a competitividade de preços entre postos da mesma região.

Etanol ganha competitividade

A alta dos combustíveis fósseis também começou a alterar o comportamento dos consumidores. O levantamento mostra que 57% das redes consultadas perceberam aumento nas vendas de biocombustíveis nas últimas semanas.

Com reajustes mais moderados, o etanol ampliou sua competitividade frente à gasolina em diferentes estados, movimento que favorece o consumo do biocombustível principalmente em períodos de maior volatilidade internacional.

“Quando há uma disparada nos combustíveis fósseis, especialmente no diesel e na gasolina, o etanol ganha espaço em várias regiões. O consumidor passa a olhar mais atentamente para custo-benefício e alternativas com menor impacto ambiental”, diz Vinicios Fernandes.

O avanço das tensões internacionais recoloca o diesel no centro das preocupações do setor de transporte e logística, já que o combustível tem peso direto sobre o custo operacional de transportadoras, operadores logísticos e distribuição urbana de mercadorias.

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