Em contínua expansão, o Porto do Açu se consolida, cada vez mais, como uma plataforma para a descarbonização, apesar de o setor marítimo já ser considerado o menos poluente por tonelada de carga por quilômetro viajado. O modelo porto-indústria adotado pela companhia envolve um conglomerado de empresas que têm como principal característica em comum a sustentabilidade, em especial por meio da redução de emissão dos gases de efeito estufa (GEE). Atualmente, existem cerca de 30 companhias instaladas no local, mas ainda há espaço para chegada de mais. São integrantes de cadeias produtivas diferentes – minério, petróleo, gás natural e projetos de industrialização e logística de baixo carbono.
Administrado pelo Porto do Açu Operações, uma joint venture entre a Prumo Logística e o Porto de Antuérpia-Bruges Internacional, o Porto de Açu integra atividades industriais, infraestrutura portuária e soluções logísticas em um só lugar. “Trata-se de um projeto ousado do ponto de vista que somos mais do que um porto”, diz o diretor de administração portuária, Vinicius Patel, grande entusiasta da aplicação de ações sustentáveis. “É um projeto moderno com perspectiva econômica, sem deixar de acreditar na importância do lado social e ambiental”.
Em funcionamento desde 2014, entre 2019 e 2020 colocou em prática a primeira etapa do projeto para a criação de um ambiente de conscientização de sustentabilidade para empreendimentos parceiros, além de se alinhar às premissas regulatórias ligadas às iniciativas de ESG. Desde 2020, a segunda etapa em curso promove a consolidação de uma cultura de apoio mútuo entre economia, ambiental e social. No entorno do Porto do Açu, segundo Patel, foi desenvolvida uma região sustentável com muitos benefícios à comunidade local, passando pelas áreas de educação, empreendedorismo e cidadania. “Se a empresa fortalece a sociedade, a empresa se fortalece como um todo”, afirma o diretor.
Rebocadores movidos a HVO
Após a sanção do governo federal, em 2024, para o licenciamento e regulamentação do uso de hidrogênio de baixa emissão de carbono, o Porto do Açu passou a utilizar nos cilindros dos motores dos seus rebocadores o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil). O combustível é feito de óleos vegetais, inclusive oriundos de frituras culinárias, que passam por refinamento e viram diesel renovado, de acordo com Patel. “O HVO é mais caro, mas mostra que o combustível limpo aumenta a vida útil dos rebocadores”, diz. “Com o conflito no Oriente Médio, a busca pela menor dependência do petróleo deve ganhar força”. A diversificação da matriz energética brasileira com a incorporação de fontes mais limpas vem avançando, porém ainda há um longo caminho para percorrer.
O Porto do Açu, que está localizado em São João da Barra (RJ), registra movimentação média diária de 23 navios. Em volume, em 2025 somou um total de 89 milhões de toneladas, 14% superior ao atingido no ano anterior. O porto informa que, na última década, o crescimento médio anual foi de 26%, puxado principalmente pelos segmentos de petróleo, minério de ferro e cargas gerais. “Estamos atrás somente do Porto de Santos”, afirma Patel. O Porto do Açu respondeu por 3% do fluxo brasileiro no comércio exterior e movimentou cerca de US$ 16 bilhões em 2025.
Corredor marítimo e reserva Caruara
Junto com o Porto de Antuérpia-Bruges, o Porto do Açu criou um corredor marítimo verde entre Brasil e Europa, com previsão para entrar em operação antes de 2030. A finalidade é de o projeto instalar a principal rota de exportação de e-combustíveis e, também, um canal para a produção brasileira de amônia abastecer o Porto de Antuérpia-Bruges. O porto europeu prevê, até 2030, importar de 6 a 10 milhões de toneladas de amônia verde por ano, o equivalente a 1,2 a 1,5 milhão de toneladas de hidrogênio verde.
Ao lado das instalações portuárias, o Açu tem desde 2012 uma reserva de restinga de 40 quilômetros quadrados ricos em biodiversidade. Chamada Caruara, integra o Programa de Monitoramento de Tartarugas Marinhas desenvolvido em parceria com a Fundação Projeto Tamar e as empresas Porto do Açu Operações, Ferroport, Vast e GNA. É responsável, desde 2008, pelo monitoramento de 62 quilômetros de faixa de areia, que é considerada a região prioritária de desova da espécie Caretta caretta, conhecida como cabeçuda e ameaçada de extinção.
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