A possível adoção da escala 5×2 em atividades contínuas, como as operações aeroportuárias, deve elevar em pelo menos 20% os custos das empresas de ground handling (serviços de apoio em solo) em relação ao modelo atual de 6×1. A estimativa considera a necessidade de ampliação do quadro de funcionários para garantir cobertura ininterrupta, em um segmento em que a mão de obra representa, em média, 75% dos custos totais.
Na prática, o impacto consolidado pode chegar a 15% no custo final das operações. O tema está em discussão no Congresso Nacional, em meio a projetos de lei que propõem a redução da jornada semanal, e já mobiliza entidades do setor de serviços e transporte.
Simulações apontam pressão sobre custos
Estudo da Cebrasse indica que a redução da jornada para 36 horas semanais implicaria aumento de 19,4% nos custos com mão de obra. Em outro cenário, com jornada de 40 horas, a elevação projetada é de 7,5%. As estimativas consideram a recomposição da força de trabalho por meio de novas contratações, horas extras ou combinações operacionais.
O presidente da Confederação Nacional do Transporte, Vander Costa, avalia que o impacto tende a ser disseminado na economia. “O projeto beneficia menos de 20% da população brasileira e 100% dos brasileiros vão pagar a conta via aumento do custo de vida”, afirma.
Setor alerta para repasse de custos
No segmento de serviços auxiliares ao transporte aéreo, o efeito pode ser direto sobre companhias aéreas e operadores aeroportuários. Segundo Ricardo Aparecido Miguel, presidente da Abesata (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo), as empresas associadas já demonstram preocupação com a medida.
“As empresas são intensivas de mão de obra e o aumento de custo terá que ser repassado aos clientes, no caso empresas aéreas e aeroportos, o que vai refletir no custo do transporte aéreo, já duramente impactado pela alta do combustível”, afirma o executivo.
A Abesata integra o Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil, assinado por mais de 160 entidades. O documento defende que eventuais mudanças sejam debatidas com base em critérios técnicos, preservação do emprego formal e mecanismos de negociação coletiva, considerando as especificidades de setores com operação contínua.
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