Após um 2025 de retração no mercado de caminhões elétricos, a XCMG começa a enxergar uma retomada no Brasil, sustentada por maior viabilidade econômica e avanço de projetos em nichos específicos. Segundo Rodrigo Setrak, gerente comercial de produtos eletrificados da companhia chinesa, o segmento de veículos elétricos acima de 3,5 toneladas encolheu mais de 23% no ano passado, de acordo com dados da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Autmotores (Anfavea), com impacto mais forte sobre caminhões rodoviários.
Nas últimas semanas, porém, a demanda voltou a ganhar tração. “Vimos uma explosão de procura. As consultas cresceram mais de 200%”, afirmou. A XCMG acumula cerca de 350 caminhões elétricos em operação no Brasil desde 2021, volume construído principalmente nos últimos dois anos e concentrado em aplicações fora de estrada, como mineração e florestal.
Em 2025, a empresa vendeu perto de 100 unidades e, mesmo diante de incertezas, projeta crescimento superior a 15% em 2026 — o que indica vendas na faixa de 115 a 120 caminhões neste ano. O avanço, embora relevante, ainda reflete um mercado em estágio inicial, no qual a conversão de interesse em vendas leva tempo.
Um dos principais motores dessa retomada é a redução da diferença de preço entre caminhões elétricos e a diesel, hoje entre 10% e 12%, segundo a empresa. Na prática, isso tem encurtado o tempo de retorno. “Dependendo da operação, com cerca de 50 mil quilômetros rodados o cliente já paga essa diferença”, disse o executivo. A alta do preço do diesel também contribuiu para acelerar decisões de investimento, especialmente em operações com uso intensivo.
Novos modelos e avanço no rodoviário
Para capturar essa demanda, a XCMG prepara a ampliação do portfólio no país ao longo de 2026. A empresa já conta com uma linha de seis modelos rodoviários e pretende lançar novos caminhões ainda neste ano, incluindo versões 4×2, cavalos mecânicos adicionais e veículos para aplicações específicas, como florestal e fora de estrada.
A estratégia inclui também avançar no segmento urbano, com o caminhão leve (VUC) apresentado na Fenatran de 2024, ampliando a presença além dos pesados — segmento onde a companhia iniciou sua atuação no Brasil. “Fizemos um caminho inverso, começando pelos extrapesados, onde já havia demanda. Agora, a ideia é crescer nos rodoviários e urbanos”, afirmou.
A entrada de novos fabricantes, especialmente chineses como Sanny, BYD e Foton, é vista como fator que deve acelerar a formação do mercado, na visão do executivo. “O aumento da concorrência tende a reduzir custos e ampliar a confiança dos clientes, facilitando a tomada de decisão.
Nacionalização depende de demanda
A XCMG também avalia a nacionalização da produção, mas condiciona o movimento ao ganho de escala. A empresa mantém fábrica em Pouso Alegre (MG) desde 2014 e estuda iniciar operações em regimes CKD (completely knocked down, ou totalmente desmontado) ou SKD (semi knocked down, ou parcialmente desmontado). O principal desafio está nos componentes de maior valor agregado, como baterias, cuja produção local ainda depende de volumes maiores para se tornar viável — além das exigências de conteúdo local para acesso a financiamento via BNDES.
Apesar da retomada da demanda, a expansão dos caminhões elétricos no Brasil segue condicionada a fatores como infraestrutura de recarga e tempo de implementação dos projetos. “A gente não vê uma explosão imediata. O crescimento vem à medida que os nichos vão se consolidando”, disse o executivo. Para a empresa, o momento atual marca uma inflexão: o mercado começa a sair da fase de testes e avança, ainda que gradualmente, rumo a uma adoção mais consistente.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



