Impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico e pela crescente demanda por transporte de alta capacidade entre centros logísticos, a Modern Logistics iniciou 2026 consolidando a transição de companhia aérea cargueira para integradora logística multimodal na América do Sul, com foco nos segmentos de e-commerce e farmacêutico.
A mudança marca uma inflexão estratégica iniciada em 2023 e acompanha a reconfiguração das cadeias logísticas regionais, pressionadas pela expansão dos marketplaces digitais e pela busca por entregas cada vez mais rápidas. Desde então, o volume movimentado pela empresa cresceu cerca de 250%, acompanhado da ampliação da carteira de clientes e da expansão da presença operacional na região.
Segundo Cristiano Koga, CEO da Modern Logistics, o modelo anterior — baseado exclusivamente no transporte aéreo — limitava a sustentabilidade do negócio no mercado latino-americano. “Entendemos que somente como companhia aérea o negócio não se sustentaria. A estratégia passou a ser construir uma plataforma logística integrada, combinando ativos aéreos, rodoviários e tecnologia”, afirma o executivo.
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Atualmente, a empresa opera com duas aeronaves próprias C737- 800, com capacidade para 23 toneladas, frota superior a 1,5 mil veículos e centros de distribuição, atendendo operações no Brasil, Mercosul e países da região Andina.
Crescimento do e-commerce
O principal vetor da nova fase da companhia é o avanço do comércio eletrônico, que ainda representa cerca de 13% das vendas do varejo brasileiro — percentual inferior ao observado em mercados mais maduros, como Estados Unidos e China.
A expectativa é que esse índice ultrapasse 20% nos próximos anos, ampliando a demanda por transporte de alta capacidade entre centros logísticos. O movimento reflete uma mudança mais ampla no setor logístico, que passa a deslocar investimentos da última milha para operações de transferência de grande volume entre hubs regionais.
Nesse cenário, a Modern decidiu concentrar sua atuação no chamado middle mile, etapa intermediária responsável pela transferência de grandes volumes entre centros de distribuição, aeroportos e hubs logísticos.
“O marketplace pode internalizar parte da logística, mas dificilmente terá milhares de caminhões ou aeronaves próprios para transferências entre CDs. É exatamente nesse ponto que surge a oportunidade”, afirma Koga.
A entrada de novos marketplaces globais, como Temu e TikTok Shop, já vem elevando a ocupação da capacidade aérea e rodoviária dedicada ao e-commerce na América Latina.
Farma ganha peso estratégico
Além do comércio eletrônico, o setor farmacêutico tornou-se o segundo pilar de crescimento da empresa. A Modern obteve certificações alinhadas à RDC 430 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), permitindo o transporte nacional de medicamentos, insumos e produtos regulados.
Segundo Koga, trata-se de um segmento menos sensível às oscilações econômicas e com barreiras operacionais mais elevadas. A operação inclui desde a coleta de insumos industriais até entregas just-in-time para fábricas e distribuição de produtos acabados.
2026: Investimetos em tecnologia
Após a expansão física da operação, a companhia inicia uma nova fase voltada à digitalização. Cerca de 80% dos investimentos previstos para 2026 serão direcionados à tecnologia.
Entre os projetos está o My Modern, plataforma própria de rastreamento logístico B2B que permite acompanhamento em tempo real por eventos operacionais. “No B2C a visibilidade já é padrão, mas no B2B ainda existe baixa maturidade digital. Estamos trazendo transparência logística para esse ambiente”, afirma o CEO.
A empresa também avança na implementação de arquitetura baseada em analytics, data lake e data warehouse para aprimorar planejamento operacional e tomada de decisão.
O movimento acompanha o reposicionamento corporativo da companhia, que busca se consolidar como uma logtech. Atualmente, entre 3% e 4% da receita anual é destinada a investimentos em tecnologia. “Nosso objetivo é evoluir de operador logístico para uma empresa de tecnologia aplicada à logística”, diz Cristiano Koga.
Middle mile: o novo gargalo logístico do e-commerce
O crescimento acelerado do comércio eletrônico vem deslocando o principal desafio logístico da última milha (last mile) para uma etapa anterior da cadeia: o middle mile.
O conceito refere-se ao transporte de grandes volumes de mercadorias entre centros de distribuição, aeroportos, hubs regionais e operadores responsáveis pela entrega final. Diferentemente do last mile — voltado ao consumidor — o middle mile opera com cargas consolidadas, alta frequência e forte dependência de escala operacional.
Com marketplaces ampliando suas estruturas próprias de fulfillment, parte da logística passou a ser internalizada. No entanto, manter grandes frotas aéreas e rodoviárias dedicadas à transferência entre hubs exige elevados investimentos e reduz flexibilidade operacional.
“O middle mile tende a crescer ainda mais. Se a venda online passar de 13% para 20%, como projeta a McKinsey para os próximos três anos, a demanda por caminhões, motoristas e aviões aumentará significativamente. É uma guerra por velocidade e uma grande oportunidade para operadores logísticos”, afirma Koga.
À medida que o e-commerce avança para cidades médias e regiões mais distantes dos grandes centros, o middle mile tende a se consolidar como o principal ponto de pressão — e também uma das maiores oportunidades de crescimento logístico na América Latina.
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