Em um cenário global de incertezas geopolíticas, escassez de mão de obra e crescente pressão por sustentabilidade, as cadeias de suprimentos vivem o desafio de operar com velocidade, precisão e adaptabilidade sem precedentes. Para o diretor da Infios na América Latina, Hélcio Lenz, essa combinação só é possível com o uso intensivo de inteligência artificial e integração de sistemas. “Prever é muito mais interessante do que reagir”, afirma.
A Infios — provedora global de soluções para execução logística e supply chain — vem reforçando sua presença na região com foco em plataformas integradas de gestão de pedidos, transporte e armazenagem. No Fórum Ilos 2025, em São Paulo, a empresa apresentou o conceito de “Execução Inteligente”, baseado em fluxos de trabalho orientados por IA e em uma arquitetura modular capaz de conectar os elos da cadeia em tempo real. “Operar sem restrições requer uma suíte de execução conectada”, alerta Lenz.
A empresa conduziu em julho de 2025 uma pesquisa com 250 executivos de supply chain em todo o mundo, revelando um setor sob forte pressão. O levantamento mostra que as principais preocupações dos líderes logísticos incluem as tarifas e incertezas geopolíticas, a escassez de mão de obra, as disrupções no transporte, o aumento das expectativas do consumidor e os riscos de cibersegurança.
O ritmo acelerado da adoção de inteligência artificial e machine learning aparece como outro ponto crítico, somando-se à necessidade de lidar com custos operacionais crescentes, atender exigências de sustentabilidade, enfrentar oscilações de demanda e contornar a falta de profissionais qualificados.
Esses fatores, segundo Lenz, estão transformando o papel da tecnologia nas cadeias de suprimentos. “A tecnologia deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um fator de sobrevivência operacional. As cadeias de suprimentos precisam ser proativas, conectadas e inteligentes”, observa. A pressão por velocidade, precisão e adaptabilidade tornou-se universal, e as empresas que conseguirem prever cenários em vez de apenas reagir a eles terão vantagem competitiva.
Com atuação em diversos países, a Infios observa realidades bastante distintas. “Quando olhamos a Europa, a adoção de tecnologia é muito maior, até por fatores conjunturais, como o custo da mão de obra. Os Estados Unidos ficam no meio do caminho, e a América Latina ainda está um pouco atrás”, analisa Lenz.
No Brasil, explica o executivo, há uma parcela de empresas que já opera em padrão global de excelência, enquanto outras ainda enfrentam uma transição mais artesanal. “Temos um estrato de companhias que tentam resolver as demandas de forma reativa, com menos processos estruturados. Essa diferença mostra o quanto o país precisa evoluir na adoção de tecnologia e integração de dados”, comenta.
Para o executivo, essa lacuna tende a se estreitar rapidamente. A multiplicidade de formas de consumo — que redefine a maneira como o cliente compra, recebe ou devolve um produto — está forçando uma evolução natural na logística. “Essa realidade já chegou ao Brasil. O cliente está demandando isso”, afirma.
A estratégia global da Infios está centrada em uma camada unificada de inteligência, capaz de conectar as operações de gestão de pedidos (OMS), armazenagem (WMS) e transporte (TMS), criando previsibilidade e decisões em tempo real. Essa abordagem vai além da automação: envolve modelos preditivos, detecção de anomalias e ações prescritivas, sustentadas por uma arquitetura modular com governança única e integração via APIs. “É uma integração inteligente, que permite criar cenários a partir de diferentes variáveis. O resultado é uma logística mais enxuta, resiliente e adaptável”, explica.
Nos armazéns, a empresa aposta em soluções de slotting automatizado de inventário, gestão de mão de obra com voz e visão, robôs móveis autônomos e até gamificação de desempenho para melhorar a produtividade. Na camada de transporte, o foco está em gestão de frotas multimodais, contratos e licitações automatizadas, seleção inteligente de transportadoras, auditoria de fretes e formação de cargas via IA — sempre com rastreamento em tempo real e conformidade com o comércio global.
Durante a apresentação, Lenz destacou que o futuro da cadeia de suprimentos depende de três dimensões indissociáveis: resiliência, visibilidade e eficiência. A resiliência reduz riscos e permite adaptação ágil diante de disrupções. A visibilidade garante rastreamento em tempo real, análises e decisões proativas.
E a eficiência resulta da automação e integração rápida dos sistemas, com inteligência artificial aplicada a cada etapa da operação. “Falamos de supply chains capazes de se autoajustar, de aprender com os dados e de gerar insights que reduzem custos e melhoram o serviço ao cliente”, resume. “Essa é a nova fronteira da competitividade logística.”
Sobre o debate em torno do marco regulatório da inteligência artificial no Brasil, Lenz pondera que o tema ainda carece de amadurecimento. “É desafiador. Não sabemos exatamente quais são as preocupações reais, as oportunidades e os riscos dessa tecnologia. É uma experiência global em construção. Falamos de inteligência generativa e ainda não conhecemos sua capacidade total — como então regulamentar?”, questiona. Mesmo diante da ausência de um arcabouço consolidado, o executivo acredita que o avanço é inevitável e estratégico. “O Brasil tem talento e escala. A adoção de tecnologias de IA não será uma opção, mas um imperativo para quem quer competir globalmente.”
Ao final de sua exposição, Lenz sintetizou o posicionamento da Infios: “As cadeias de suprimentos precisam de decisões rápidas e inteligentes, baseadas em dados. É isso que garante vantagem competitiva no futuro”, conclui.
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