Exportações para Argentina evitam queda mais acentuada na produção de caminhões até agosto, diz Anfavea

O país vizinho lidera demanda externa e absorve 45% dos caminhões exportados pelo Brasil, com destaque para os pesados

Aline Feltrin

A produção de caminhões no Brasil começou a sentir os efeitos da retração do mercado interno em 2025. Entre janeiro e agosto, as montadoras fabricaram 88,5 mil unidades, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (9) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em coletiva realizada na sede da entidade.

Em agosto, o tombo foi mais acentuado: 10,1 mil caminhões saíram das linhas de montagem, 22,9% abaixo dos 13,1 mil produzidos no mesmo mês de 2024. Na comparação com julho deste ano, quando foram fabricados 12,1 mil veículos, houve retração de 16,3%.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o resultado só não foi pior graças ao desempenho positivo das exportações. No acumulado do ano, os embarques cresceram 89,6%, somando 19 mil unidades. A Argentina foi o principal destino e puxou a expansão, com 11 mil veículos — quase todos do segmento pesado, acima de 5 toneladas — o que representa 45% das exportações brasileiras. O volume enviado ao país vizinho triplicou em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Anfavea

Apesar do fôlego trazido pelas exportações, a fraqueza do mercado interno já se reflete no emprego. Enquanto a indústria automotiva como um todo abriu 746 novas vagas neste ano, o segmento de caminhões e ônibus seguiu na contramão, com o fechamento de 148 postos até agosto, segundo a Anfavea

Calvet ressaltou a preocupação com o segmento de pesados, que responde por quase metade das vendas. “Temos uma retração de 6,7% no acumulado do ano, mas o mais importante é observar que os pesados, que representam 45% do mercado, caem 19%. O grosso do mercado está em queda”, afirmou.

Crédito caro trava mercado

O executivo apontou o custo elevado do financiamento como principal entrave para a recuperação. Ele destacou que, além das altas taxas do Finame, o IOF encarece em cerca de 10% a compra de caminhões. “O mercado de caminhões funciona com crédito. Hoje, parte das operações está no CDC e parte no Finame. Temos conversado com o governo para melhorar as condições do Finame, que precisam ser mais competitivas. Reduzir essas taxas seria fundamental”, disse.

Renovação de frota segue sem avanço

Outro ponto considerado crucial pela Anfavea é a renovação de frota. Calvet lembrou que em 2023 o setor teve uma “prévia” com a Medida Provisória 1175, que concedeu desconto patrocinado por tempo limitado, mas não teve continuidade. “A renovação de frota nunca saiu da nossa agenda. Julgamos importante, mas é preciso definir o funding”, disse, em referência à fonte de recursos que garantiria a sustentabilidade financeira de um programa desse tipo. “São duas agendas centrais para o setor: reduzir os juros do Finame e avançar na renovação da frota. O governo, no entanto, ainda não sinalizou nada”, concluiu.

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