Autopeças têm déficit de US$ 1,16 bilhão no quadrimestre

O resultado é 10,5% inferior ao saldo negativo de US$ 1,29 bilhão registrado no acumulado de janeiro a abril de 2019

A indústria brasileira de autopeças registrou de janeiro a abril déficit de US$ 1,16 bilhão, resultado 10,5% inferior ao saldo negativo de US$ 1,29 bilhão registrado no primeiro quadrimestre de 2019, segundo dados do Ministério da Economia consolidados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

A quantidade de peças importadas de 155 países no quadrimestre, embora tenha reduzido 20,1% (passou de US$ 3,80 bilhões em 2019 para US$ 3,03 bilhões em 2020), foi maior do que o volume exportado para 182 mercados, que totalizou US$ 1,87 bilhão, 25,1% inferior aos US$ 2,50 bilhões registrado nos quatro meses de 2019. A retração nos embarques ocorreu nos principais parceiros comerciais das empresas: Argentina (-23,9%), Estados Unidos (-36,9%), México (-23,2%), Colômbia (-18,7%) e Chile (-52,1%).

Segundo o Sindipeças, a Argentina ocupou o primeiro lugar na lista de destinos das exportações no quadrimestre, com 19,4% de participação em toda a operação, e a China está no topo do ranking de origem das importações, com 16,3% de participação nas compras totais das empresas.

Nas operações mensais as fabricantes registraram em abril queda de 57,4% nas exportações em comparação com o mesmo mês de 2019, de US$ 689,7 milhões para US$ 293,5 milhões. O Sindipeças avalia que, com este resultado, as empresas recuaram 20 anos, contabilizando o mesmo valor que exportava no fim da década de 90.

O sindicato atribui esta retração à pandemia do coronavírus, que atingiu significativamente os negócios das empresas com o fechamento das fronteiras em alguns países, as restrições ao transporte de carga e a determinação de isolamento social, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

As importações também foram menores em abril na comparação com o mesmo mês de 2019. O recuo chegou a 45,9%, com US$ 576,5 milhões em peças trazidas do exterior. Segundo o Sindipeças, a queda é decorrente do impacto que a crise do Covid-19 provocou no setor automotivo, com o fechamento das fábricas das montadoras e das autopeças em abril. Na avaliação do Sindipeças, a abertura gradual dos mercados ajudará na retomada do setor. “No entanto, mesmo com a posição favorável da taxa de câmbio e de alguns fatores sazonais, o retorno aos níveis pré-pandemia só deve acontecer no primeiro trimestre de 2021.”

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