“Assim como o graneleiro, canavieiro e demais atividades do agronegócio, os setores de mineração, de transporte de gases líquidos, combustíveis e produtos frigoríficos, que demandam muito caminhão, começam a dar sinais de retomada”, conta Leoncini.
Esse fator positivo, segundo Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, deve-se ao comportamento da economia que já indica crescimento. “Fatores como a inflação sob controle e juros mais baixos, por exemplo, devem motivar as empresas a renovar ou ampliar suas frotas”, calcula Schiemer.
Entre as categorias do mercado de caminhões é o extrapesado que Leoncini considera ter se descolado mais dos fatos políticos que têm travado o país. “Este é o único que cresceu até setembro (a alta foi de 2,5%) e tem potencial para crescer mais porque o nível de consultas que a Mercedes-Benz e os concorrentes têm recebido mostra que este segmento já começou a andar sozinho e acelerar, o que é bom porque o extrapesado normalmente puxa o mercado. É o primeiro que sente os efeitos negativos da crise e o último que volta, mas quando volta traz todo o setor junto”, analisa o vice-presidente de venda.
Os demais segmentos estão com volume de vendas até setembro abaixo de 2016. Nos leves a retração é de 19%, nos médios 22,8% e nos semipesados 11,8%. A estimativa de Leoncini é que no segmento de médios e semipesados a diferença em relação ao ano passado tende a cair com os emplacamentos do último trimestre porque esses caminhões já foram vendidos para as empresas de bebidas e estão sendo implementados.
Ao segmento de caminhões extrapesados a Mercedes-Benz pretende dar maior atenção em 2018 com a estratégia de manter o crescimento que conseguiu nos últimos anos. “A empresa estava bem longe neste setor, com 19% de participação em 2013. A partir da mudança de postura e nas inovações de produtos ficou muito claro que o mercado responde ao que a Mercedes-Benz vem entregando hoje”, afirma Leoncini, ressaltando que os 25,4% de participação no extrapesado alcançado em 2016 não é a posição que a Mercedes-Benz quer. “A empresa quer muito mais que isso porque tem competência, produto, capilaridade na rede e posicionamento para um ser uma das líderes de mercado no extrapesado.”
No acumulado de janeiro a setembro, das 13.995 unidades de caminhões extrapesados vendidos no país, 3.546 unidades são modelos da Mercedes-Benz.
Em todo o setor de caminhões a montadora manteve a liderança com quase 30% de participação e 9.343 caminhões emplacados no acumulado de janeiro a setembro deste ano.
Leoncini ressalta que no mercado de caminhões extrapesado a Mercedes-Benz tem 60% de market share no segmento off-road e está trabalhando para posicionar a marca à frente dos dois líderes no segmento rodoviário.
Com o caminhão off-road a Mercedes-Benz atende o setor de cana, mineração, madeira e construção pesada. “Na área de mineração está tendo uma grande movimentação, com novos projetos, retomada de alguns projetos e abertura de novas minas”, afirma Leoncini.
No setor de mineração a Mercedes-Benz vendeu 50 unidades do Actros 4844 8×4 basculante para a Fagundes Construção e Mineração. Com essa compra, a Fagundes contabiliza mais de 500 unidades do Actros em sua frota. Do total de mais de 700 caminhões que possui, cerca de 85% são da marca Mercedes-Benz. “Estamos atentos ao setor de mineração porque novos negócios devem acontecer no próximo ano”, diz Leoncini.
Ao analisar o comportamento do mercado de caminhões Leoncini afirma que mesmo com a queda de 9,2% na venda total de caminhões acima de seis toneladas até setembro o resultado é positivo porque em algum momento de 2017 a retração chegou a 30%. “O emplacamento que era de 126 unidades diárias em janeiro aumentou para 213 unidades por dia em setembro. É possível perceber a consistência do mercado e que os negócios estão se descolando da política. Com a estabilidade de alguns indicadores econômicos, as decisões por renovação de frota estão começando a acontecer e quem deixou de investir, de comprar está fazendo isso agora, não dentro da potencialidade que eles têm, mas já se iniciou um processo de compra. Por isso acho que a Fenatran vai ser um divisor de águas, um momento bem decisivo para 2018 em relação ao volume de mercado”, afirma Leoncini.
O otimismo com relação ao mercado de caminhões em 2018, segundo o vice-presidente, deve-se a vários fatores, como a previsão de expansão das vendas do varejo em cerca de 3% em 2018, que impacta positivamente na logística, no transporte de mercadorias e na demanda de caminhão. Há também perspectiva de queda na taxa de desemprego, inadimplência privada e empresarial. “O sentimento que capturamos no mercado é que definitivamente começa uma inflexão, com tendência de crescimento do setor e a intenção da Mercedes-Benz é acompanhar esse avanço e manter a liderança no mercado de caminhões com 28,5% de participação. Se o mercado crescer a marca tem que crescer junto e em todos os segmentos”, ressalta Leoncini.
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