O Governo do Amapá mantém negociações com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, para viabilizar a instalação de uma base logística de apoio às operações de petróleo e gás na Margem Equatorial. A iniciativa poderá abrir oportunidades para operadores portuários, transportadoras, empresas de armazenagem e prestadores de serviços marítimos, caso avancem os projetos de exploração e produção na região.
Segundo informações publicadas originalmente pelo Diário do Amapá, a Petrobras considera utilizar estruturas logísticas tanto no Pará quanto no Amapá para apoiar suas operações na Margem Equatorial. A presidente da companhia, Magda Chambriard, esclareceu que os dois estados fazem parte do planejamento, após notícias sobre a possibilidade de Belém concentrar as atividades de apoio à exploração de petróleo na região.
No Amapá, as negociações para a instalação de uma base logística avançaram em dezembro de 2025, quando o governo estadual e a Transpetro assinaram um memorando de entendimento para realizar estudos de viabilidade técnica do empreendimento.
As tratativas incluem a identificação de locais adequados para a instalação da estrutura em território amapaense. Em agosto de 2026, durante evento empresarial no estado, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, confirmou que a companhia estava buscando uma área no Amapá para implantar uma nova base operacional.
A eventual instalação poderá ampliar a demanda por movimentação de cargas, armazenagem de equipamentos, transporte de suprimentos e serviços de apoio às embarcações utilizadas nas operações offshore. A definição da localização dependerá de fatores como infraestrutura portuária, condições de acesso marítimo, viabilidade técnica e custos logísticos.
Exploração amplia perspectivas
As negociações ocorrem em meio ao avanço das pesquisas da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia anunciou, em agosto e outubro de 2026, a identificação de hidrocarbonetos em duas zonas do poço exploratório Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas.
Em setembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também autorizou a perfuração de três novos poços exploratórios no bloco: Manga, PAD-Morpho e Crotalus. A ampliação da campanha poderá aumentar a necessidade de infraestrutura logística e serviços de apoio marítimo.
As descobertas, entretanto, ainda dependem de avaliações técnicas para determinar a extensão dos recursos e sua eventual viabilidade comercial. A autorização para novas perfurações também não representa liberação para a produção de petróleo.
No plano de negócios para o período de 2026 a 2030, a Petrobras prevê aproximadamente US$ 2,5 bilhões em investimentos exploratórios na Margem Equatorial. Vale ressaltar que esses recursos não incluem investimentos confirmados na implantação da base logística.
Para Wandenberg Pitaluga Filho, diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, a utilização de estruturas no Pará não exclui a possibilidade de investimentos no estado. A estratégia estadual busca atrair fornecedores, qualificar trabalhadores e preparar a infraestrutura para atender às exigências da indústria offshore.
Apesar do avanço das negociações, ainda não foram divulgados valores de investimento, capacidade operacional ou cronograma para a eventual implantação da base. A decisão dependerá dos estudos técnicos e econômicos e do desenvolvimento das atividades da Petrobras na região.
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