Os operadores logísticos faturaram R$ 247 bilhões em 2025, crescimento de 18% em relação à edição anterior do levantamento Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil. Apesar do avanço do setor, a multimodalidade ainda tem participação limitada nas operações: 80% das cargas movimentadas passam por apenas um modal.
Os dados fazem parte da edição 2026 do estudo encomendado pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) ao Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), divulgado neste mês.
Segundo o levantamento, o País conta atualmente com cerca de 1.500 operadores logísticos, número 15% superior ao registrado na edição anterior. Do total, 64% ampliaram sua área de atuação. Os 32 associados à Abol respondem por R$ 45 bilhões em faturamento, ou 18% do mercado.
A receita também permanece concentrada nas maiores companhias: 17% dos operadores respondem por 77% do faturamento total do segmento.
Em termos de presença geográfica, 31% atuam nas cinco regiões brasileiras e a mesma proporção oferece serviços de logística internacional. O Sudeste concentra operações de 98% dos OLs pesquisados, seguido pelo Sul, com 79%.
Entre os segmentos atendidos, automotivo e autopeças aparecem em primeiro lugar, presentes na carteira de 69% dos operadores, seguidos por cosméticos, com 62%, e eletroeletrônicos, com 59%.
Multimodalidade chega a 20% das cargas
Pela primeira vez, o estudo traçou um perfil específico da multimodalidade nas operações. Em média, 31% dos operadores oferecem soluções envolvendo mais de um modal. Entre os grandes OLs, essa participação chega a 44%, ante 29% entre os médios e 19% entre os pequenos.
Quando considerado o volume de cargas, 17% passam por dois modais e apenas 3% utilizam três ou mais. Os demais 80% permanecem concentrados em uma única modalidade.
O transporte rodoviário está presente em 94% das operações dos OLs. Em seguida aparecem o aéreo nacional, com 21%; aéreo internacional, 8%; marítimo internacional e cabotagem, ambos com 7%; ferroviário, 5%; e hidroviário, 3%.
O estudo aponta ainda que 38% das empresas possuem habilitação como Operador de Transporte Multimodal (OTM), emitida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (Antt), embora 21% desse grupo ainda não opere efetivamente com mais de um modal.
Os operadores que oferecem soluções multimodais também apresentam maior abrangência. Atendem, em média, 12 estados e 11 setores econômicos, ante dez estados e sete segmentos entre as empresas que não oferecem esse tipo de serviço.
A expansão da multimodalidade, porém, esbarra principalmente na disponibilidade de ativos, qualidade da infraestrutura e oferta de rotas. Ferrovias e hidrovias receberam as avaliações mais baixas dos operadores, com notas médias de 3,2 e 3,4, respectivamente, em uma escala de zero a dez.
Nos terminais, os problemas variam conforme o modal. Barreiras regulatórias aparecem entre os gargalos das instalações aéreas, portuárias e alfandegárias, enquanto a baixa disponibilidade pesa principalmente nos terminais ferroviários e hidroviários.
“O Brasil ainda pensa muito em modais e pouco em logística integrada. Os dados mostram que precisamos mudar essa lógica. Não basta ter rodovia, ferrovia, hidrovia, porto e aeroporto, é preciso que essas infraestruturas se conectem de forma eficiente”, afirma Marcella Cunha, diretora executiva da Abol.
Emprego cresce; margem sofre pressão
Os operadores logísticos responderam por 983 mil empregos diretos em 2025. Considerados também postos indiretos e cadeias relacionadas, o levantamento estima 2,8 milhões de pessoas, equivalentes a 2,7% da população ocupada no País.
O setor recolheu R$ 57 bilhões em tributos e encargos, dos quais R$ 8,5 bilhões vieram das empresas associadas à Abol.
Cerca de sete em cada dez operadores registraram aumento de receita e da carteira de clientes. O crescimento do faturamento, no entanto, não foi acompanhado na mesma proporção pelas margens. Segundo o estudo, 44% das empresas reajustaram preços abaixo do aumento de seus custos, enquanto 34% conseguiram repasses iguais ou superiores à elevação das despesas.
Os investimentos permanecem concentrados em tecnologia e infraestrutura. Softwares receberam aportes de 83% dos operadores, seguidos pela modernização das instalações, com 78%. Aquisição ou leasing de frota aparece em 64% das empresas.
Na área de mão de obra, 89% investiram em qualificação profissional, embora o valor médio aplicado por funcionário tenha recuado em comparação com 2024. A contratação pelo regime CLT é predominante e representa 80% dos vínculos.
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