SP-255 ganha passagem aérea para travessia de animais

Estrutura instalada em Guatapará integra complexo com mais de 50 passagens de fauna nos trechos em duplicação da rodovia

Redação

A SP-255 ganhou uma passagem aérea destinada à travessia de animais silvestres no km 47,4, em Guatapará, na região de Ribeirão Preto (SP). Instalada a seis metros de altura, a estrutura é a primeira desse tipo na região e integra um conjunto de dispositivos de proteção à fauna implantado pela Arteris ViaPaulista nos trechos em duplicação da rodovia.

O equipamento é formado por plataformas de madeira e telas laterais e permite que animais que se deslocam pelas árvores atravessem a rodovia sem acessar a pista. A concessionária cita entre as espécies encontradas na região macacos-prego, bugios, saguis-de-tufo-preto, quatis e gambás.

A localização próxima ao Rio Mogi-Guaçu foi definida em uma área de transição entre Cerrado e Mata Atlântica, com presença de mata ciliar. Além da passagem suspensa, o projeto nos trechos em duplicação da SP-255 prevê mais de 50 passagens inferiores para a fauna.

Os dispositivos procuram manter a conexão entre fragmentos de vegetação separados pela infraestrutura rodoviária e, ao mesmo tempo, reduzir a presença de animais nas pistas.

“As passagens de fauna contribuem para restabelecer a conectividade entre áreas naturais separadas pela rodovia, favorecendo o deslocamento da fauna e a proteção dos ecossistemas locais”, afirma Richardson Costa de Faria, gerente de Meio Ambiente da Arteris.

Mais de 260 passagens na malha

A Arteris informa manter mais de 260 passagens de fauna nas rodovias administradas por suas concessionárias em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. A estrutura é complementada por mais de 200 quilômetros de cercas direcionadoras, utilizadas para dificultar o acesso dos animais às pistas e conduzi-los aos pontos de travessia.

Segundo a companhia, os acidentes envolvendo animais silvestres em sua malha caíram 27% nos últimos cinco anos. A empresa não informa, no material divulgado, o número absoluto de ocorrências antes e depois da implantação dos dispositivos nem quanto dessa redução pode ser atribuído especificamente às passagens de fauna.

Outro conjunto desse tipo funciona na BR-101/RJ Norte, administrada pela Arteris Fluminense. O corredor entre Casimiro de Abreu e Rio Bonito tem 72 quilômetros e reúne 37 estruturas para travessia de animais.

De acordo com a concessionária, mais de 100 espécies já foram identificadas utilizando as passagens nesse trecho. O monitoramento também contabilizou mais de 1,3 mil travessias de micos-leões-dourados, espécie ameaçada de extinção e endêmica da Mata Atlântica fluminense.

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