A Daimler Truck afirma que a transição dos caminhões para tecnologias de emissão zero na Europa depende de uma expansão da infraestrutura de recarga e abastecimento e de condições econômicas que permitam aos transportadores adotar os novos veículos. Para a fabricante, as regras de redução de CO₂ da União Europeia precisam estar alinhadas com a realidade do mercado.
O alerta aparece no posicionamento da empresa para a IAA Transportation 2026, em Hannover, na Alemanha. A Daimler considera que, sem uma infraestrutura disponível em toda a Europa e sem paridade de custos para os clientes, as metas estabelecidas para a indústria podem resultar em multas de grande impacto financeiro para os fabricantes.
A regulamentação europeia estabelece uma redução de 43% nas emissões de CO₂ de novos veículos comerciais pesados até 2030, em comparação com os níveis de 2019. O problema, segundo a Daimler Truck, é a distância entre essa meta e o estágio atual do mercado. Em 2025, os caminhões pesados elétricos a bateria representaram apenas 2% das vendas na Europa.
Para que a indústria alcance a meta de 2030, a empresa estima que aproximadamente 35% dos caminhões novos vendidos naquele ano precisariam ser elétricos a bateria ou movidos a hidrogênio.
A diferença entre o cenário atual e o necessário para cumprir a regulamentação representa um risco financeiro para os fabricantes. De acordo com a Daimler Truck, para a Mercedes-Benz Trucks, cada ponto percentual de diferença em relação à meta pode representar aproximadamente 120 milhões de euros em pagamentos de multas.
A empresa afirma que, caso a diferença chegasse a dez pontos percentuais, a divisão Mercedes-Benz Trucks deixaria de ser lucrativa, tomando como referência os resultados de 2025.
Infraestrutura é parte da equação
Para a Daimler Truck, a expansão da infraestrutura precisa acompanhar a transformação tecnológica dos veículos. A empresa defende que a regulamentação de CO₂ seja revisada antecipadamente, levando em consideração a disponibilidade de infraestrutura e o custo total de propriedade dos caminhões para os clientes.
A questão envolve principalmente o transporte de longa distância, segmento no qual a disponibilidade de pontos de recarga e abastecimento passa a fazer parte da viabilidade operacional dos veículos elétricos a bateria e movidos a hidrogênio.
A própria Daimler apresenta na IAA soluções voltadas à infraestrutura. Entre elas está o TruckCharge, plataforma que reúne serviços de consultoria, planejamento, hardware, operação e soluções digitais para recarga de caminhões.
A empresa também informa que sua rede de recarga semipública TruckCharge Network está sendo ampliada. Em parceria com a Milence, a Daimler oferece o recurso Seamless Charging com Autocharge, que permite iniciar e contabilizar automaticamente a recarga depois de uma instalação única, sem necessidade de cartão ou aplicativo.
O Fleetboard Charge, por sua vez, permite acompanhar o status da recarga e o processo de carregamento, além da disponibilidade dos veículos para operação.
Caminhões elétricos já acumulam 160 milhões de quilômetros
Apesar do alerta sobre infraestrutura, a Daimler afirma que seus caminhões elétricos já acumulam experiência significativa em operações comerciais.
O eActros 600, principal modelo elétrico de longa distância da Mercedes-Benz Trucks, já percorreu mais de 160 milhões de quilômetros com clientes desde o início de sua produção em série, no fim de 2024. Segundo dados telemáticos anonimizados do serviço TruckLive, 50% da quilometragem diária dos veículos supera 400 quilômetros, enquanto aproximadamente 20% passa de 600 quilômetros.
A Mercedes-Benz Trucks também afirma ter alcançado aproximadamente 38% de participação de mercado na Europa no primeiro semestre de 2026 entre caminhões médios e pesados localmente livres de CO₂.
A companhia leva à IAA novas soluções para ampliar essa operação, entre elas o eActros Lowliner, desenvolvido para transporte de grande volume, e o NextGenH2 Truck, movido a célula de combustível e hidrogênio líquido.
No caso do modelo a hidrogênio, a Daimler prevê colocar cerca de 100 caminhões em operações reais com clientes na Alemanha a partir do fim de 2026. A fabricante afirma que já destinou quase todas as unidades planejadas a clientes.
A estratégia da empresa combina, portanto, a expansão dos veículos de emissão zero com investimentos em infraestrutura. Para a Daimler Truck, a velocidade dessa transição dependerá não apenas da disponibilidade dos caminhões, mas também da capacidade de criar condições para que eles possam ser utilizados de forma economicamente viável pelos transportadores.
* A jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz Brasil.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



