A frota brasileira está envelhecendo e esse movimento já produz efeitos em toda a cadeia de reposição. Para termos uma ideia desse contexto, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), a idade média dos veículos em circulação no país chegou a 15,43 anos, considerando todos os tipos de automotores.
O dado, por sua vez, ajuda a dimensionar uma mudança que interessa diretamente ao aftermarket: quando os carros permanecem mais tempo nas ruas, o ecossistema responsável por mantê-los em funcionamento também precisa estar preparado para uma demanda mais prolongada e diversificada.
Esse cenário, aliás, ajuda a explicar o próprio potencial de expansão do segmento de reposição no Brasil. Um levantamento da McKinsey aponta que as empresas fabricantes de autopeças geraram R$ 43 bilhões em 2024, considerando fabricantes nacionais e estrangeiros. A projeção é de que esse mercado alcance R$ 79 bilhões em 2040, praticamente dobrando de tamanho, com crescimento estimado entre 3% e 3,5% ao ano, sem descontar a inflação.
E o envelhecimento dos veículos é um dos fatores que sustentam essa perspectiva. Mas uma frota mais antiga não significa apenas mais carros chegando à oficina.
Na verdade, o cenário traduz também uma demanda de mercado em um segmento já marcado por uma enorme variedade de aplicações e componentes. De acordo com o Anuário do Sincopeças, o aftermarket brasileiro reúne atualmente mais de 800 mil produtos ativos, distribuídos por 4.620 grupos de produtos e mais de 8.200 marcas.
A amplitude desse catálogo, por sua vez, torna a disponibilidade da peça correta uma questão de gestão, e não apenas de volume de estoque.
É nesse ponto que o envelhecimento da frota começa a redesenhar as exigências da cadeia. Manter milhares de itens disponíveis exige equilíbrio entre variedade, capital imobilizado e velocidade de reposição.
Para ilustrar esse contexto, uma peça que não está disponível quando a oficina precisa dela pode prolongar o tempo do veículo parado; ao mesmo tempo, estoques excessivos de itens de baixa saída pressionam a operação.
Em outras palavras: quanto maior a diversidade da frota e do catálogo, mais importante se torna trabalhar com inteligência de dados e de distribuição para decidir o que comprar, onde armazenar e como distribuir.
A tecnologia, sem dúvidas, pode contribuir para essa equação, mas ela sozinha não substitui os fundamentos de uma operação bem gerida. É preciso, nesse sentido, atentar para a necessidade de organizar cadastros, parâmetros de estoque, integração entre compras e, em suma, com a profissionalização ancorada em informação técnica.
O relacionamento próximo entre oficinas e varejistas também ganha importância nesse contexto, já que uma frota que permanece por mais tempo em circulação cria uma relação mais duradoura entre veículo, reparador e fornecedores.
Afinal de contas, a oferta de produtos e serviços precisa caminhar em conjunto com o suporte especializado. E, para quem está na ponta, encontrar a peça adequada e receber orientação confiável pode ser tão determinante quanto o preço ou a marca.
O envelhecimento da frota, portanto, amplia o mercado potencial do aftermarket, mas também eleva a responsabilidade de quem participa dele.
O crescimento projetado pela McKinsey não será sustentado apenas por uma quantidade maior de veículos demandando manutenção. Será necessário fazer a peça certa chegar ao lugar certo, no momento adequado e com orientação de qualidade para que seja aplicada corretamente. Há, nesse sentido, boas perspectivas para diferentes agentes do setor de reposição. Mas eles precisam estar preparados para aproveitá-las.
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