Nem importado, nem europeu: novo caminhão elétrico mistura China e Europa para disputar mercado bilionário

Modelo de 42 toneladas combina tecnologia chinesa e componentes de fornecedores europeus; fabricante aposta em produção local para disputar mercado com Mercedes-Benz, Volvo e MAN

Redação

A produção em série de um novo caminhão elétrico desenvolvido com tecnologia chinesa e componentes europeus começou na Áustria. O modelo eTopas 600, da fabricante chinesa SuperPanther, será montado pela Steyr Automotive e uma das primeiras unidades já foi entregue à DHL para operações logísticas no país.

Segundo informou a agência de notícias alemã Deutsche Presse-Agentur (dpa), o caminhão foi projetado para um peso bruto total combinado (PBTC) de 42 toneladas e autonomia de aproximadamente 600 quilômetros.

O veículo utiliza componentes de propulsão desenvolvidos na China, enquanto parte da tecnologia embarcada é fornecida por empresas europeias como ZF, Schaeffler, Infineon e Continental.

A estratégia da SuperPanther é produzir os caminhões na Europa em vez de exportá-los prontos da China. “A Europa não precisa de mais um caminhão importado. A Europa precisa de um parceiro industrial”, afirmou Chao Liu, presidente da empresa, em declaração reproduzida pela Deutsche Presse-Agentur. Segundo o executivo, a companhia combina uma plataforma tecnológica chinesa com fabricação, validação e serviços realizados na Europa.

De acordo com a agência alemã, a frota de testes da SuperPanther já percorreu mais de 70 mil quilômetros em operações reais na Alemanha e na Áustria desde março deste ano.

A chegada do eTopas 600 amplia a concorrência no segmento europeu de caminhões elétricos pesados, atualmente liderado por fabricantes como Mercedes-Benz (Daimler Truck), Volvo Trucks e MAN.

Apesar do avanço tecnológico, a infraestrutura de recarga continua sendo um dos principais obstáculos para a expansão desses veículos. Segundo Dirk Engelhardt, diretor da Associação Federal de Transporte Rodoviário, Logística e Gestão de Resíduos da Alemanha (BGL), embora existam modelos cada vez mais competitivos, a rede de carregamento para caminhões pesados ainda é insuficiente. Como consequência, os caminhões elétricos representam atualmente menos de 1% da frota de veículos pesados em circulação no país.

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