O tráfego de navios pelo estratégico Estreito de Hormuz aumentou nos últimos dias, apesar da continuidade das hostilidades no Oriente Médio, segundo noticiou o site Transport Topics. Os Estados Unidos afirmam que parte dos petroleiros que atravessaram a região contou com escolta da Marinha norte-americana.
O navio Al Areesh deixou o Golfo Pérsico na madrugada de 30 de julho transportando uma carga de gás natural liquefeito (GNL) do Catar — a primeira exportação do país em três semanas. Ao mesmo tempo, o navio transportador de gás liquefeito de petróleo (GLP) CYH Yongchun aparentemente cruzou o estreito com o transponder desligado, de acordo com dados de rastreamento marítimo.
Segundo a empresa de inteligência de mercado Kpler, 14 embarcações transportando commodities atravessaram o Estreito de Hormuz nos dois sentidos em 29 de julho, número superior ao registrado na semana anterior, quando o movimento ficou abaixo de dez navios por dia. Os dados ainda podem ser revisados conforme novas informações sejam incorporadas.
Também foi reservado, de forma preliminar, um superpetroleiro para carregar petróleo em um porto não identificado do Golfo Pérsico na próxima semana, com destino à China. O fretamento foi fechado por cerca de US$ 500 mil por dia.
Armadores e tradings acompanham atentamente a movimentação marítima tanto no Estreito de Hormuz quanto no estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, em busca de sinais sobre como as embarcações estão se adaptando ao ambiente de segurança em constante mudança. O fluxo de navios nessas rotas tem oscilado conforme aumentam ou diminuem os ataques, inclusive contra petroleiros.
O movimento em Hormuz havia diminuído depois que os Estados Unidos intensificaram, em meados de julho, os ataques contra o Irã. A ofensiva foi seguida por ações retaliatórias de Teerã contra países da região, incluindo o Kuwait. As hostilidades foram retomadas nesta semana após uma breve trégua.
Mesmo assim, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o fluxo de petróleo continua sendo mantido graças ao apoio militar americano.
“Estamos utilizando as Forças Armadas dos Estados Unidos para escoltar embarcações de petróleo e gás que atravessam o Estreito de Hormuz”, disse Wright à Bloomberg Radio. Segundo ele, cerca de 6,5 milhões de barris de petróleo por dia deixaram o Golfo Pérsico pela passagem marítima na última semana. “Estamos restabelecendo o fornecimento global de petróleo e derivados a partir dessa região.”
No Mar Vermelho, alguns petroleiros também foram vistos entrando no Golfo de Áden, indicando intenção de atracar no porto saudita de Yanbu, apesar da ameaça de ataques por parte dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.
Ao mesmo tempo, alguns compradores asiáticos passaram a retirar cargas no porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, terminal utilizado pela Arábia Saudita para exportação de petróleo bruto.
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