Paccar adia adoção de nova geração de motores nos EUA; entenda

Fabricante de Kenworth, Peterbilt e DAF diz que continuará oferecendo caminhões com motores EPA 2024, enquanto clientes avaliam impacto dos custos da nova regulamentação ambiental norte-americana

Aline Feltrin

A Paccar, controladora das marcas Kenworth, Peterbilt e DAF, decidiu adotar uma transição gradual para a próxima geração de motores a diesel nos Estados Unidos. A empresa continuará comercializando, ao longo de 2027, caminhões equipados com motores que atendem ao atual padrão de emissões EPA 2024, adiando a adoção em larga escala da nova tecnologia EPA 2027 Low NOx, que entra em vigor em 1º de janeiro do próximo ano.

Embora os padrões norte-americanos e europeus não sejam diretamente equivalentes, o EPA 2027 Low NOx é considerado mais rigoroso que o Euro 6 para emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e apresenta exigências comparáveis — em alguns aspectos até superiores — às previstas para o futuro Euro 7. As informações foram divulgadas pelo site especializado Transport Topics.

Segundo o presidente-executivo da Paccar, Preston Feight, a decisão atende a uma demanda dos próprios clientes, que preferem fazer uma migração gradual para a nova tecnologia.

“Estamos planejando vender o produto atual aos nossos clientes. Esse tem sido o retorno que recebemos de muitos deles: a preferência é fazer essa transição aos poucos”, afirmou o executivo durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre.

A regulamentação foi criada durante o governo de Joe Biden e reduz o limite de emissões de NOx para caminhões pesados de 200 para 35 miligramas por cavalo-vapor/hora, um endurecimento significativo das regras ambientais. No entanto, a administração de Donald Trump flexibilizou a implementação da norma ao propor maior flexibilidade para penalidades por não conformidade e para o uso de créditos de emissões.

Conta financeira pesa mais que a tecnologia

Segundo os executivos da companhia, a decisão também é econômica. Os novos motores compatíveis com o padrão EPA 2027 deverão elevar o custo dos caminhões entre US$ 8 mil e US$ 10 mil por unidade.

Em contrapartida, as penalidades para comercializar motores fora do novo padrão deverão ficar entre US$ 6 mil e US$ 7 mil por veículo. Para parte das transportadoras, pagar a multa pode representar um custo menor do que investir imediatamente na nova tecnologia.

A Paccar não é a única fabricante a rever seus planos. A Cummins já anunciou que também pretende escalonar a introdução de seus motores da linha 2027 após analisar a proposta preliminar divulgada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

O mesmo movimento está sendo estudado pelo Traton Group, controlador da International Motors. Durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre, o CEO Christian Levin afirmou que a companhia avalia introduzir os novos motores de forma gradual, citando a incerteza regulatória poucos meses antes da entrada em vigor das novas exigências.

Lucro cresce e demanda permanece aquecida

Além da estratégia para as emissões, a Paccar apresentou resultados positivos no segundo trimestre de 2026. A empresa registrou lucro líquido de US$ 752 milhões, alta de 3,9% em relação aos US$ 723,8 milhões obtidos no mesmo período de 2025. A receita, incluindo os serviços financeiros, alcançou US$ 7,55 bilhões, ante US$ 7,51 bilhões um ano antes.

As entregas globais somaram 38.700 caminhões entre abril e junho, volume 1,5% inferior ao registrado no mesmo trimestre do ano passado, mas 16,9% superior ao do primeiro trimestre de 2026.

Na América do Norte, as vendas atingiram 22 mil caminhões, queda de 4,3% na comparação anual, porém avanço de 23,6% em relação aos três primeiros meses deste ano.

A fabricante informou ainda que 90% da capacidade de produção das marcas Kenworth e Peterbilt para o restante de 2026 já está comprometida, mesmo após o aumento do ritmo de produção promovido ao longo do ano.

Segundo John Rich, vice-presidente executivo e diretor de tecnologia da Paccar, o cenário continua favorável para a renovação das frotas.

“Os clientes estão sendo beneficiados por tarifas de frete mais elevadas devido à restrição de capacidade do setor. Além disso, a idade média das frotas aumentou, criando uma oportunidade para substituir os veículos por caminhões mais modernos e eficientes em consumo de combustível”, afirmou.

A companhia manteve sua projeção para o mercado norte-americano de caminhões Classe 8 entre 230 mil e 270 mil unidades em 2026, indicando que espera uma demanda consistente mesmo diante das mudanças regulatórias.

Com informações do site norte-americano Transport Topics.

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