As compras internacionais deixaram de impulsionar apenas o comércio eletrônico e passaram a redesenhar a logística aérea no Brasil. Embalada pelo aumento das remessas de marketplaces estrangeiros, pela demanda da indústria por entregas rápidas e pela expansão da infraestrutura aeroportuária, a carga aérea vive um dos momentos mais favoráveis dos últimos anos e pode encerrar 2026 com um novo recorde de movimentação.
Em junho, o volume de cargas transportadas por via aérea cresceu 6,61% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A expectativa do setor é de um avanço de até 15% até o fim deste ano, impulsionado também pelo aumento das importações de medicamentos, eletrônicos e componentes industriais.
O crescimento da demanda levou aeroportos estratégicos, como Viracopos, Guarulhos, Galeão e Florianópolis, a ampliar suas estruturas dedicadas à movimentação de cargas. Paralelamente, as companhias aéreas reforçaram suas operações cargueiras para atender ao aumento do fluxo de encomendas.
A Gol ampliou de duas para nove aeronaves cargueiras nos últimos cinco anos e expandiu sua operação para 14 destinos. Já a LATAM Cargo Brasil opera atualmente uma frota de 20 cargueiros, cada um com capacidade superior a 50 toneladas.
Na avaliação de Débora Chiquitano, CEO da FreteGlobal, especializada em logística internacional, a carga aérea deixou de atender apenas mercadorias de alto valor agregado e passou a ocupar posição estratégica na cadeia logística.
“O crescimento do e-commerce internacional exige velocidade, previsibilidade e capacidade operacional. O setor aéreo respondeu rapidamente com investimentos em infraestrutura, ampliação de rotas e aumento da capacidade de transporte”, afirma.
Segundo ela, o aumento da oferta de espaço para cargas também reduz gargalos logísticos, amplia as opções para importadores e exportadores e melhora os prazos de entrega.
Outro segmento que acompanha essa expansão é a logística reversa internacional. O aumento das compras no exterior também elevou o volume de mercadorias que precisam ser devolvidas aos países de origem, seja por não atenderem às exigências de importação, seja por desistência da compra.
Há cerca de um ano, a FreteGlobal estruturou no Aeroporto Internacional de Viracopos uma operação dedicada à devolução de encomendas provenientes de marketplaces asiáticos. Desde então, a empresa afirma ter coordenado o retorno de mais de 160 mil remessas ao exterior.
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