A preparação para a reforma tributária vem ampliando a revisão dos processos financeiros nas empresas de transporte rodoviário de cargas. Mais do que adaptar sistemas fiscais e contábeis às novas regras, transportadoras passaram a reavaliar despesas operacionais que tradicionalmente recebiam pouca atenção, em uma tentativa de preservar margens pressionadas pelo aumento dos custos da operação.
O movimento, no entanto, ainda está em estágio inicial. Segundo o Panorama do Contas a Pagar 2026, da Qive, apenas 38% das empresas iniciaram o mapeamento dos impactos da reforma tributária, enquanto a maioria ainda não começou esse processo.
No transporte rodoviário de cargas, onde combustível, manutenção, pneus e pedágios concentram grande parte das despesas, cresce também o interesse por custos menos visíveis, como multas de trânsito, perda de prazos administrativos, retrabalho e falhas na gestão documental das frotas.
Custos despercebidos
Para especialistas em gestão de frotas, pequenas ineficiências podem representar perdas significativas quando multiplicadas por centenas de veículos.
“Muitas transportadoras ainda tratam as multas apenas como uma rotina administrativa. Quando não existe controle adequado, surgem custos que vão além do valor da infração, como perda de prazos para indicação de condutores, dificuldades para recorrer das penalidades e maior carga operacional das equipes”, afirma Marcelo Lemos, CEO da Frota 162.
Segundo ele, a revisão dos processos motivada pela reforma tributária cria uma oportunidade para eliminar desperdícios históricos que afetam a rentabilidade das operações.
Digitalização
A busca por maior eficiência também tem acelerado a adoção de plataformas digitais para centralizar informações sobre multas, documentos, condutores e indicadores operacionais.
Além de reduzir tarefas administrativas, essas ferramentas permitem identificar padrões de comportamento dos motoristas, acompanhar indicadores e adotar ações preventivas para reduzir reincidências, contribuindo para maior previsibilidade financeira.
Fundada em 2022, a Frota 162 afirma administrar atualmente mais de 320 mil veículos e estima elevar em mais de 80% a eficiência operacional de empresas que utilizam sua plataforma.
Governança entra na agenda
A reforma tributária tende a ampliar a exigência por controles mais estruturados e informações mais consistentes sobre custos operacionais. Nesse contexto, especialistas avaliam que transportadoras deverão investir não apenas na adaptação tributária, mas também na modernização dos processos internos e no fortalecimento da governança.
A expectativa é que despesas antes tratadas como pontuais — entre elas multas, processos administrativos e controles documentais — passem a integrar de forma mais efetiva a gestão financeira das empresas, contribuindo para decisões mais precisas e maior competitividade em um setor de margens historicamente reduzidas.
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